Publicado por Redação em Saúde Empresarial - 02/10/2024 às 09:28:05

Saúde Mental no Trabalho: 1 em Cada 4 Profissionais Brasileiros É Triste, Diz Estudo



O Brasil é o quarto país com mais profissionais tristes ou com raiva diária na América Latina, segundo estudo da consultoria Gallup, que entrevistou 128 mil pessoas em mais de 160 países. Com 25% de profissionais tristes, o país ficou atrás apenas da Bolívia (32%), de El Salvador (26%) e Jamaica (26%) no ranking, e empatado com Equador e Peru. Em relação às pessoas com raiva, o top 3 ficou com Bolívia (25%), Jamaica (24%) e Peru (19%), seguidos pelo Brasil (18%).

Os brasileiros também ocupam a sétima posição entre os mais estressados da região: 46% afirmam sentir estresse diariamente. “Nem todos os problemas de saúde mental estão relacionados ao trabalho, mas o trabalho é um fator nas avaliações da vida e nas emoções diárias”, afirmam os autores do relatório. Segundo eles, o ambiente profissional pode desempenhar um papel significativo no enfrentamento da crise de saúde mental no mundo.

Superando o Brasil, Bolívia (55%), República Dominicana (51%), Costa Rica (51%), Equador (50%), El Salvador (50%) e Peru (48%) estão ainda mais estressados, conforme o ranking. Enquanto isso, os profissionais do Paraguai (34%) e da Jamaica (35%) são os que enfrentam menos estresse na América Latina.


Países com profissionais mais tristes na América Latina

  • Bolívia (32%)
  • El Salvador (26%)
  • Jamaica (26%)
  • Brasil (25%)
  • Equador (25%)
  • Peru (25)
  • Nicarágua (24%)
  • República Dominicana (23%)
  • Venezuela (23%)
  • Argentina (22%)


O impacto da liderança na saúde mental

De acordo com a pesquisa, profissionais mal geridos são 60% mais propensos a experimentar altos níveis de estresse. Outras pesquisas reforçam esses impactos: no mundo todo, os gestores e líderes têm mais influência sobre a saúde mental dos seus funcionários do que os médicos e terapeutas, e o mesmo impacto que os cônjuges ou parceiros, segundo pesquisa do The Workforce Institute da UKG.

Outros gatilhos no ambiente de trabalho também podem desestabilizar o estado emocional dos profissionais. Entre eles, a especialista cita:

  • Carga de trabalho excessiva e falta de recursos para lidar com as demandas;
  • Falta de reconhecimento e oportunidades de desenvolvimento;
  • Ambiente com assédio moral ou falta de segurança psicológica;
  • Incerteza sobre o futuro, envolvendo medo de demissões ou mudanças organizacionais muito súbitas;
  • Conflitos interpessoais e dificuldades de relacionamento;
  • Isolamento e sensação de falta de apoio, especialmente em ambientes de trabalho remoto.


A solidão diária afeta uma em cada cinco pessoas no mundo, segundo o estudo da Gallup, mas pode ter um peso extra para os brasileiros. “As relações interpessoais têm impacto significativo no nosso bem-estar e na definição de quem somos. Por isso, a solidão interfere diretamente no engajamento e na produtividade”, diz Simone Nascimento, médica mestre pela Universidade de Lisboa e especialista em saúde mental corporativa pelo Hospital Israelita Albert Einstein.

Além do peso do ambiente de trabalho, questões econômicas e políticas também têm alto impacto, segundo o estudo. “A realidade socioeconômica do Brasil, com altos índices de desigualdade e incerteza econômica, cria um ambiente propício à insegurança, estresse e raiva.”


Custo trilionário

Problemas de saúde mental dos profissionais não impactam apenas as suas vidas, mas também podem custar caro às empresas. Mais precisamente, uma perda de US$ 8,9 trilhões (R$ 48,7 trilhões) à economia global anualmente. “Esses sentimentos podem levar ao esgotamento, alto turnover, problemas de saúde física e aumento do absenteísmo.”


Como melhorar a saúde mental no trabalho

Para melhorar o cenário do Brasil no ranking e sua posição em relação aos sentimentos de raiva, tristeza e ao estresse, Simone Nascimento destaca o papel das empresas em abordar o bem-estar mental dos seus funcionários. “Com a Lei 14831, que institui o Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental, e o aumento de iniciativas para promoção de ambientes de trabalho mais inclusivos e conscientes, é possível que esses números melhorem.”

Entre as melhores práticas, a médica destaca a importância de fomentar uma cultura de bem-estar, desenvolver políticas de trabalho flexíveis e promover treinamentos para gerenciar as emoções. “Para sentir que o trabalho e a vida valem a pena, é preciso saber equilibrar os sentimentos negativos, por vezes inevitáveis, com os positivos.”



Fonte: Forbes (Mariana Krunfli)


Posts relacionados

Saúde Empresarial, por Redação

Governo quer acelerar obras na saúde

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou esta semana, depois de reunião com a presidenta Dilma Rousseff, que passará a semana em reunião com governadores e secretários de saúde estaduais e municipais para discutir a aceleração das obras do setor.

Saúde Empresarial, por Redação

Não deixe a pressão te pegar

O tema destacado pela OMS para o Dia Mundial da Saúde é o da hipertensão arterial, que assola uma em cada três pessoas no mundo. Artigo de especialista do Incor alerta para os perigos dessa doença

Saúde Empresarial, por Redação

Combinar atividades que estimulam mente e corpo é melhor para a memória

Diversas pesquisas feitas anteriormente já mostraram que atividades que estimulam o cérebro, inclusive aquelas envolvendo o uso de computador, assim como exercícios físicos, protegem uma pessoa contra a perda de memória.

Saúde Empresarial, por Redação

Teuto alcança R$258 mi em parceria firmada com a Pfizer

Já o faturamento da Pfizer entre dezembro de 2010 e julho de 2011, de acordo com dados do IMS Health (apenas vendas farma e mercado ético) foi de R$ 1,9 bilhão - um crescimento de 3% comparado ao mesmo período do ano anterior

Saúde Empresarial, por Redação

HC e empresas privadas fecham parceria para área de ortopedia

Acordo prevê a implantação de dois laboratórios para o desenvolvimento de produtos de terapia celular e aplicações na ortopedia

Saúde Empresarial, por Redação


Deixe seu Comentário:

=