Publicado por Redação em Notícias Gerais - 11/11/2016 às 13:28:51

As dez multinacionais que controlam o mercado mundial de alimentos

 


Essa é uma entre tantas consequências da globalização: um número reduzido de empresas multinacionais controla uma parte importante do mercado mundial de alimentos.

O resultado é que tais firmas concentram uma enorme influência para determinar como a comida é repartida no mundo. Potencialmente, também têm a capacidade de determinar ações que podem ajudar a aliviar a fome no planeta.

Por isso, a Oxfam, ONG baseada na Grã-Bretanha, está realizando há três anos uma campanha pública entitulada Behind the Brands (Por trás das marcas).

Por meio dela, discute as políticas de compra de alimentos dessas grandes multinacionais - e a maneira como isso influi no mercado da comida.

As dez maiores empresas que estão no foco da campanha são Nestlé, PepsiCo, Unilever, Mondelez, Coca-Cola, Mars, Danone, Associated British Foods (ABF), General Mills e Kellogg's. Elas foram selecionadas por encabeçar mundialmente o volume de vendas do setor.

Todas são europeias ou norte-americanas. Dominam os setores de produtos lácteos, refrigerantes, doces e cereais, entre outros.

A Oxfam diz que essas empresas faturam juntas US$ 1,1 bilhão (R$ 3,4 bilhões) diariamente e empregam milhares de pessoas.

"Há uma ilusão de opções. Você vai a um supermercado e vê diversas marcas, mas muitas são das mesmas dez empresas", afirmou Irit Tamir, da Oxfam América, à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

Concentração de mercado

Essas empresas operam em mercados globais em que a produção de alguns itens está concentrada em poucas empresas.
Irit Tamir aponta como exemplo três delas, que atuam na cadeia de valor do cacau: Mars, Mondelez e Nestlé. Elas controlam 40% do comércio mundial nessa área.

Somente entre 3,5% e 5% do valor de uma barra de chocolate vai para o pequeno produtor rural, segundo a ONG.

Enquanto isso, no setor de refrigerantes, Coca-Cola e Pepsi se tornaram as maiores compradoras de açúcar do mundo.

Classificações

A Oxfam estimou o impacto das políticas dessas empresas sobre algumas variáveis: posse da terra, mulheres, camponeses e trabalhadores, transparência, clima e água.

Assim, a ONG criou uma tabela de classificação da responsabilidade social na política de aquisição de alimentos dessas dez corporações. As atitudes positivas rendem pontos na tabela.

Depois, os ativistas fizeram uma campanha para que as empresas minimizem o impacto que exercem sobre setores específicos.

"Pedimos que as grandes empresas do setor de chocolate tratem melhor as trabalhadoras", disse Irit Tamar, a título de exemplo.

A organização também pediu às empresas de refrigerantes que não tolerem conflitos de terra em relação ao cultivo de cana-de-açúcar. Já as firmas de cereais General Mills e Kellogg's foram convidadas a reduzir o impacto climático de suas atividades.

A boa notícia é que muitas empresas responderam bem à campanha, segundo a Oxfam. A evolução delas na tabela ao longo de três anos de campanha é positiva.

Em fevereiro de 2013, por exemplo, a empresa com melhor classificação entre as dez grandes, a Nestlé, tinha apenas 38 pontos de 70 possíveis. Em 2016, a pontuação da mesma companhia subiu para 52.

Transparência

As ações adotadas pelas empresas vão de políticas de transparência corporativa a estratégias de redução de danos ambientais provocados por cultivos, diz a Oxfam.

O fato de essas grandes empresas parecerem estar adotando políticas mais socialmente responsáveis é uma consequência positiva, pois espera-se que o poder dessas corporações continue aumentando no futuro.

"Estamos presenciando cada vez mais concentração (de mercado) entre poucas empresas", disse Tamar. "As grandes compram as pequenas".

A Oxfam pede que as empresas empreguem bem esse poder econômico que estão adquirindo e afirma que ficará vigilante.

Fonte: BBC
 


Tags: mercado-mundial, multinacionais


Posts relacionados

Notícias Gerais, por Redação

Justiça dá auxílio-acidente a segurado do INSS com doença comum

O INSS está pagando auxílio-acidente a um segurado que teve uma doença comum, não relacionada a sua atividade profissional.

Notícias Gerais, por Redação

MPEs: pontualidade de pagamento de dívidas atinge maior nível

As micro e pequenas empresas estão mais pontuais no que se trata de quitação de dívidas. Segundo pesquisa da Serasa Experian, em agosto, a cada 1000 pagamentos realizados pelas empresas, 957 foram quitados à vista ou com atraso de no máximo sete dias.

Notícias Gerais, por Redação

Com festa do Ano Novo chinês, bolsas da Ásia têm ganhos limitados

As bolsas de valores asiáticas fecharam mistas nesta terça-feira, com os ganhos iniciais reduzidos depois que as negociações para reestruturação da dívida da Grécia sofreram outro grande revés, levantando a possibilidade de calote.

Notícias Gerais, por Redação

Contas públicas têm pior resultado em agosto desde 2003

As contas do setor público registraram em agosto o pior resultado para este mês do ano desde 2003.

Deixe seu Comentário:

=