Publicado por Redação em Saúde Empresarial - 25/02/2026 às 08:07:33
Término amoroso impacta trabalho e pressiona RH
Estudo mostra que 1 em cada 3 trabalhadores se afasta após separações e impulsiona debate sobre saúde emocional, flexibilidade e novas políticas nas empresas.
O impacto das relações pessoais no ambiente de trabalho voltou ao centro das discussões nas empresas. Um novo levantamento internacional indica que términos amorosos têm reflexos diretos na produtividade, no engajamento e até na presença dos profissionais — o que reacende o debate sobre a criação de políticas mais estruturadas de apoio emocional.
De acordo com o Relatório sobre Licença por Término Amoroso da Zety®, realizado com 1.020 trabalhadores, 1 em cada 3 profissionais já utilizou atestado médico ou dias de férias para lidar com uma separação. Embora a chamada “licença por término amoroso” ainda não seja formalmente adotada pela maioria das organizações, o comportamento mostra que a necessidade já existe — ainda que de forma silenciosa.
Impacto direto na produtividade e no clima organizacional
Os dados evidenciam que o término de um relacionamento vai além da esfera pessoal e afeta diretamente a performance no trabalho:
-
43% relatam queda na produtividade ou dificuldade de concentração
-
38% apontam redução na motivação e no engajamento
-
33% precisaram se afastar temporariamente
-
25% tiveram impacto na pontualidade ou presença
-
23% enfrentaram dificuldade na tomada de decisões
-
17% perceberam impactos nas relações profissionais
Na prática, o estudo reforça uma tendência já observada por lideranças e áreas de Recursos Humanos: questões emocionais têm efeitos concretos no desempenho e na dinâmica das equipes.
Diferenças geracionais e de comportamento
O levantamento também mostra que o impacto varia conforme o perfil do profissional. Entre os homens, 36% afirmam ter se afastado após um término, enquanto entre as mulheres esse índice é de 28%.
Sob a ótica geracional, os dados revelam uma mudança cultural relevante:
-
Geração Z (47%) e millennials (45%) são os mais propensos a se afastar
-
Geração X (31%) apresenta um comportamento mais moderado
-
Baby boomers (11%) são os menos impactados
O recorte indica que as novas gerações tendem a priorizar mais a saúde emocional — e esperam maior flexibilidade das empresas diante desses momentos.
Licença por término: demanda existe, mas o estigma permanece
O debate sobre a criação de uma licença específica para términos amorosos começa a ganhar espaço nas agendas de RH. Segundo o estudo:
-
33% dos trabalhadores acreditam que as empresas deveriam oferecer esse tipo de licença
-
43% afirmam que utilizariam o benefício, caso estivesse disponível
-
65% dizem que se sentiriam constrangidos em solicitá-lo, por medo de julgamento
O dado revela um paradoxo importante: há demanda por apoio, mas o estigma em torno da saúde emocional ainda limita a adoção de políticas mais abertas e transparentes.
Flexibilidade surge como alternativa viável
Apesar da discussão sobre uma licença formal, os próprios profissionais apontam caminhos mais pragmáticos e alinhados à realidade corporativa. Entre as medidas mais valorizadas estão:
-
Trabalho remoto (31%)
-
Horários flexíveis (31%)
-
Maior privacidade (26%)
-
Ajustes em prazos e carga de trabalho (23%)
A leitura para o RH é clara: mais do que criar novas licenças, oferecer flexibilidade e autonomia pode ser uma resposta eficiente e de baixo custo, capaz de preservar o bem-estar sem comprometer a produtividade.
O papel estratégico do RH em 2026
Em um contexto marcado pela evolução da NR-1 e pela crescente atenção aos riscos psicossociais, o tema reforça a necessidade de uma abordagem mais estruturada sobre saúde emocional nas empresas.
A discussão sobre a “licença por término amoroso” pode não resultar, necessariamente, em uma política formal universal. No entanto, ela expõe uma transformação mais profunda: a expectativa de que o ambiente corporativo reconheça, acolha e gerencie os impactos da vida pessoal no trabalho.
Para o RH, o desafio não é apenas normativo — é cultural. E passa, cada vez mais, pela construção de ambientes psicologicamente seguros, empáticos e preparados para lidar com a complexidade das relações humanas no mundo do trabalho.
Fonte: Mundo RH



