Publicado por Redação em Notícias Gerais - 15/04/2014 às 10:28:10

O Brasil é feio, mas está na moda

O Brasil está em alta na coleção de outono do mercado financeiro. Ou melhor, na coleção de primavera, pois os estrangeiros estão mais animados do que os locais. A animação dos donos do dinheiro grosso ficou óbvia. O dólar caiu a R$ 2,20; a Bolsa subiu da cova onde jazia em meados de março. O tutu voltou a entrar, mas nada mudou na Pátria Amada. O Brasil continua feio, mas voltou à moda, parafraseando sucesso antigo da poeta funkeira Tati Quebra-Barraco.
 
Uma história exemplar desse revertério é a mudança de opinião da Pimco, a empresa da Califórnia que administra a maior dinheirama do mundo aplicada em títulos de dívida. O Brasil agora estaria tão barato que investir aqui vai dar dinheiro, afirmou um dos vice-presidentes da Pimco, Mark Kiesel, em relatório. Em 15 de janeiro, o presidente da mesma Pimco, o bilionário e lenda das finanças Bill Gross, dizia que o Brasil não era mais prioridade, que tiraria dinheiro daqui.
 
No ano passado, a Pimco quebrou a cara no Brasil. Não acreditou que o real e os preços de títulos da dívida do governo fossem se desmilinguir devido à mudança da política monetária dos EUA; ficou em primeiro lugar na fila do calote da OGX de Eike Batista.
 
A Pimco nem de longe é novata em Brasil. Quando a finança estava em pânico ou especulava com a vitória de Lula em 2002, a Pimco acreditou que o tumulto passaria. Comprou dívida do governo baratinho, pela metade do preço, pois "todo o mundo" vendia ativos brasileiros em baciadas; o dólar chegaria a R$ 4. Na época, estrelas da finança como George Soros e Mark Mobius achavam que o governo quebraria. Não quebrou. A Pimco ganhou um bilhãozinho de dólares, por aí.
 
No mês passado, Kiesel e assessores passaram quatro dias no Brasil. Falaram com governo, investidores e grandes empresas. Ao final da viagem, se fizeram e responderam as seguintes perguntas (reformuladas em termos mais humanos):
 
1) As "apostas do mercado" para o nível de juros, por exemplo, estão exageradas, dada a situação da economia "real" e das contas do governo? Isto é, a situação dos "fundamentos" está assim ruim? Não, provavelmente está melhor;
 
2) As "apostas do mercado" vão ser de alta em relação ao nível atual? Sim;
 
3) O sentimento do investidor em relação ao Brasil vai melhorar? Sim.
 
No resumo de Kiesel, o mercado "exagerou" no pessimismo, dadas as perspectivas de médio prazo do país e suas defesas (muitas reservas em dólar e pouca dívida externa). Além do mais, o clima ficou tão ruim, com Dilma Rousseff em baixa nas pesquisas, baixa da nota de crédito e protestos, que o governo pode mudar.
 
Mais importante, a taxa de juros do Brasil voltou a ser uma das mais gordas do mundo, altas demais (sic) para um país que cresce tão pouco, escreveu Kiesel.
 
Está bom de comprar dívida pública (emprestar ao governo), ações de bancos que melhoraram seus balanços mesmo numa economia fraca (Itaú e Bradesco) e até Petrobras.
 
O tumulto pode voltar? Improvável, pois a política monetária americana, o Fed, seria agora mais previsível. De resto, juros altos e intervenções do Banco Central do Brasil no câmbio protegeriam o país.
 
São "eles" que estão dizendo.
 
Fonte: Folha.com - São Paulo/SP - MERCADO


Posts relacionados

Notícias Gerais, por Redação

BC toma nova medida para facilitar ingresso de dólares no Brasil

Ingresso de divisas pode aliviar pressão de alta do dólar no país. Em junho, houve retirada de US$ 2,6 bilhões do Brasil, a maior do ano.

Notícias Gerais, por Redação

Dilema do Copom: estimular economia ou controlar preços?

  Sobre reunião, que começa nesta terça-feira (28) a aposta é de elevação da taxa de juros para 7,75%

Notícias Gerais, por Redação

Veja 7 dicas para declarar o IR 2013

O prazo para declarar o Imposto de Renda da Pessoa Física de 2013 começa em pouco mais de um mês. A Receita Federal deve divulgar, nas próximas semanas, as regras para o envio da declaração.

Notícias Gerais, por Redação

Microsseguro poderá ser vendido pela internet e pelo celular

As seguradoras deverão começar a vender, até o fim deste ano, os chamados microsseguros. Esses produtos, voltados para a população de baixa renda, poderão ser vendidos por meios remotos, como internet, celular e maquininhas de cartão de crédito, além de bancas de jornal e vendedores de porta em porta.

Notícias Gerais, por Redação

Com medidas do BCE, Mantega diz haver luz no fim do túnel para crise

O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, se mostrou satisfeito nesta quinta-feira com as novas medidas tomadas pelo BCE (Banco Central Europeu) para conter a crise da dívida que assola a zona do euro.

Notícias Gerais, por Redação

Redução da desigualdade requer reforma tributária,diz especialista

O avanço da redução da desigualdade social no Brasil depende agora mais de uma reforma tributária do que da expansão de programas como o Bolsa Família, afirma o cientista político Ricardo Ismael, da PUC-Rio.

Deixe seu Comentário:

=