Publicado por Redação em Notícias Gerais - 28/06/2012 às 08:27:10

Investimento espanhol no Brasil cresce mesmo com crise na Europa

O investimento direto dos espanhóis no mercado brasileiro subiu sobe mesmo com a crise financeira que atinge principalmente a Europa. Em 2010, foram 54,8 bilhões de euros a mais do que no ano anterior, representando 47% do investimento do país na América Latina, de acordo com afirmações do primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, que visitou a sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na última semana. O Brasil é o segundo maior destino dos investimentos espanhóis, atrás apenas do Reino Unido.

De acordo com o ministro, o comércio bilateral entre os dois países registrou um recorde histórico em 2011, superando 6 bilhões de euros. Conforme a assessoria da Fiesp, apesar da crise Rajoy está confiante na recuperação econômica de seu país e considera que a Espanha ainda é um bom lugar para investir, funcionando como uma posta de entrada da União Europeia (UE). Para Rajoy, há uma ampla margem de crescimento para o investimento das empresas brasileiras em território espanhol e ainda é preciso fortalecer os laços comerciais e de investimentos.

Segundo o presidente da Câmara Espanhola de Comércio no Brasil e da Telefônica Brasil, Antonio Carlos Valente, ocorreram três ondas migratórias da Espanha em direção ao Brasil, uma em 1840, para São Paulo e Rio de Janeiro, e outra na década de 1990, no período das privatizações, e a terceira no ano 2000, quando grandes empresas se fixaram definitivamente no País. Atualmente, estamos na quarta "onde", segundo Valente, com a vinda de empresas de menor porte que atuam em diversos setores e que querem investir no Brasil.

Conforme Valente, de 1990 a 2001 a Espanha foi o segundo país que mais investiu no Brasil, com R$ 165 bilhões, e deve continuar investindo. As 20 maiores empresas espanholas no Brasil têm um plano de investimentos entre 2012 e 2015 de mais R$ 44 bilhões, afirmou Valente. Segundo a câmara, as empresas espanholas têm hoje quase 214 mil trabalhadores diretos e cerca de 200 mil indiretos no Brasil.

Presença espanhola
Os números de três grandes empresas espanholas mostram que investir no potencial brasileiro dá retorno. De acordo com balanço da Telefônica de 2011, a receita líquida da empresa em todo o mundo foi de 62,8 bilhões de euros, sendo 14,3 bilhões de euros só no Brasil, o que corresponde a 22,8% da participação do total do grupo. De 2011 a 2014 a empresa deve investir R$ 24,3 bilhões no País, montante 52% maior do que o valor investido nos quatro anos anteriores (de 2007 a 2010), que foi de R$ 16 bilhões. Os resultados financeiros do primeiro trimestre de 2012 mostraram investimentos de R$ 1,164 bilhão, volume 63,4% acima do aplicado nos três primeiros meses do ano passado, segundo a própria empresa.

Dos 289 mil empregados em 25 países, 37,3% estão no Brasil, assim como 90 milhões (ou 29,6%) do total de 303,9 milhões de clientes ativos. Apenas em telefonia fixa, o País concentra 27% dos clientes, enquanto na telefonia móvel o número chega a 74,8 milhões (31% do total do grupo na categoria). A receita líquida de serviços atingiu R$ 8,133 bilhões no País no primeiro trimestre de 2012, com crescimento de 5,4% enquanto a receita de serviço móvel teve alta de 12,8% na comparação com o primeiro trimestre de 2011.

Já a companhia elétrica espanhola Iberdrola aumentou seus lucros em 5,5% em 2011 em relação a 2010, com 3,825 bilhões de euros. A Espanha continua como o primeiro mercado, com 1,555 bilhões de euros, ou 40,65% do total, e o Brasil foi o segundo a dar maior ganho, com 890 milhões de euros (23,27%), seguido do Reino Unido, com 832 milhões de euros (21,75%), e dos EUA com 547 milhões de euros (14,31%).

Conforme a assessoria da empresa, o Brasil apresentou forte crescimento nos lucros graças à consolidação da distribuidora de energia Elektro, à valorização do real, e ao progresso operacional com a adição de nova capacidade hídrica. A empresa pretende ainda consolidar a participação no País, onde detém 39% da Neoenergia e 100% da Elektro.

Mas o segmento de maior para os espanhóis é mesmo o financeiro. O lucro líquido do Santander Brasil foi de R$ 1,766 bilhão apenas nos três primeiros meses de 2012. O resultado, com alta de 7,5% em relação ao trimestre anterior, mostra que o banco continua em crescimento no País mesmo diante da desaceleração da atividade econômica. De janeiro a março, a operação brasileira respondeu por 27% do resultado global do Grupo Santander, que obteve um lucro líquido atribuído de 1,604 bilhões de euros, queda de 23,9% na comparação anual.

Ao contrário de seus concorrentes na Espanha, o Santander tem condições de absorver maiores provisões graças às operações fora do país. A Espanha respondeu por apenas 10% do lucro do grupo em 2011 enquanto a América Latina representou 51%, puxada pelos 28% do Brasil na porcentagem. Em 2011, o lucro líquido do banco no País foi de R$ 3,557 bilhões, um pouco abaixo dos R$ 3,863 bilhões apurados no ano anterior.

Conforme o presidente do Santander Brasil, Marcial Portela, o banco está no caminho certo no País. "O nosso impulso comercial e a nossa solidez de balanço nos permitirão seguir crescendo criteriosamente de acordo com o cenário econômico brasileiro, em um mercado no qual confiamos, e com o qual estamos completamente comprometidos", disse o executivo após o balanço trimestral.

Com informações da Reuters, EFE e AFP


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