Publicado por Redação em Saúde Empresarial - 18/10/2011 às 10:47:43

90% dos médicos não trabalharia com urgência e emergência

Uma pesquisa realizada pela Federação Nacional de Médicos – Fenam com médicos de Minas Gerais constatou que 90% dos entrevistados não trabalhariam com urgência e emergência. De acordo com o secretário de saúde suplementar da Fenam, Macio Bichara, os profissionais não sentem segurança em lidar com esse tipo de situação.

“Falta experiência para enfrentar o front de guerra, os plantões são cansativos e mal remunerados”.

Bichara conta que o baixo pagamento aos profissionais tem potencializado esse cenário. Ele conta que os honorários são muito baixos e defasaram a qualidade do atendimento, prejudicando principalmente o público.

“Os médicos estão insatisfeitos na saúde suplementar ganhando em torno de R$ 42 por consulta. Na rede pública o pagamento do Sistema Único de Saúde não chega a R$ 3000”.

Ele lembra que antigamente os hospitais montavam equipes exclusivas para realizar atendimento de urgência e emergência, pois sabiam que poderiam firmar suas carreiras lá. Atualmente existe muita rotatividade dos profissionais nos hospitais, dificultando a formação de núcleos específicos.

Com a baixa perspectiva de remuneração, os recém formados estão migrando para especialidades que envolvam o uso de tecnologias e aparelhos, o que aumenta os custos da medicina.

O fato de o Brasil ter aumentado o número de médicos nos mercados também contribui com essa realidade. Bichara explica que nos últimos 10 anos o País dobrou o número de escolas médicas e criaram cursos com mensalidades em torno de R$ 4 mil. “Quando esse estudante entra no mercado, ele vai querer ganhar dinheiro e não trabalhar no SUS, recebendo R$ 3000”.

Na opinião do Bichara, a grade curricular das escolas também deveria contemplar os casos de urgência e emergência. “Os estudantes que tiverem perfil deveriam fazer uma especialização nessa área, pois são casos como esses que o SAMU trará para eles”

 Pediatria

O oficio da pediatria também tem sido uma prática abandonada pelos médicos. O secretário de saúde suplementar conta que esses profissionais vivem das consutas médicas. “Hoje sobram vagas de especialização e está difícil de sobreviver como pediatra”.

Um estudo realizado pela Sociedade Brasileira de Pediatria constatou que o número de médicos recém formados que se candidatavam ao título de pediatra caiu 50% nos últimos dez anos.

O levantamento feito pela entidade em 1999 mostrou que 1583 médicos que acabaram de se formar se candidataram à pediatria, em 2009 foram apenas 794.

Fonte: www.saudebusinessweb.com.br | 18.10.11
 


Posts relacionados

Saúde Empresarial, por Redação

Tratamento experimental consegue deter tipo de leucemia severa nos EUA

Amparado pela Constituição de 88 e financiado por uma das maiores cargas tributárias do mundo, o Sistema Único de Saúde - SUS - nasceu com o propósito de garantir atendimento universal, integral e gratuito no Brasil.

Saúde Empresarial, por Redação

Câmara aprova projeto para reconstrução de mama pelo SUS

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (07) projeto de lei que dispõe sobre a obrigatoriedade de cirurgia reparadora da mama pela rede de unidades integrantes do Sistema Único de Saúde (SUS) nos casos de mutilação decorrentes de tratamento de câncer

Saúde Empresarial, por Redação

12 mitos e verdades sobre a cirurgia da obesidade

A cirurgia bariátrica e metabólica (popularmente chamada de redução de estômago) é reconhecida hoje como um método seguro e eficaz para auxiliar a perda de peso em obesos mórbidos.

Saúde Empresarial, por Redação

Urgências para sustentar a urgência da saúde

É consenso que a saúde precisa de fonte segura de financiamento, e que um novo imposto para garantir com decência a universalidade e a integralidade do atendimento estabelecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) se tornou indefensável na política, tanto para a situação quanto para a oposição.

Deixe seu Comentário:

=