Publicado por Redação em Saúde Empresarial - 24/03/2026 às 22:56:15

Varejo, Educação e Marketing: os setores com maior risco de burnout no Brasil

Em meio à crise de saúde mental no Brasil, com recorde de afastamentos por transtornos mentais em 2025, e à atualização da NR-1, prevista para entrar em vigor em maio, o burnout tem chamado a atenção de lideranças como um dos principais riscos à saúde dos funcionários, à produtividade e à sustentabilidade das empresas.

Desde 2019, a condição é oficialmente descrita pela Organização Mundial da Saúde como “uma síndrome resultante de estresse crônico no trabalho que não foi gerido com sucesso”. Ela é caracterizada por três dimensões: sensação de esgotamento extremo; distanciamento mental ou cinismo em relação ao trabalho; e redução da eficácia profissional. “Por ser tratado como um fenômeno ocupacional, o burnout está ligado especificamente ao contexto de trabalho, e não apenas a um diagnóstico psiquiátrico”, dizem os autores do relatório NR-1 do Compliance à Alta Performance, recém-publicado pela HR Tech Gupy. “Ao nomear o burnout como fenômeno de trabalho, o foco se desloca da ‘fragilidade individual’ para as condições organizacionais que geram e mantêm esse estado.”

Segundo o estudo, atualmente 4 em cada 10 profissionais sinalizam algum tipo de risco psicossocial, como toxicidade no ambiente de trabalho, alto volume de entregas e jornadas longas e imprevisíveis, que podem levar ao burnout.

Os riscos psicossociais permeiam operações de todos os portes em termos de quantidade de funcionários: atingem 58,73% dos profissionais ativos em pequenas empresas; 53,60% em médias; 58,85% em grandes e 45,90% em companhias muito grandes (acima de 1001 colaboradores).

Onde o alerta vermelho já está aceso

A frequência dos sinais de exaustão varia a depender do setor. Segundo o relatório, os maiores índices de respostas em faixa crítica para burnout foram registrados nos setores de varejo e atacado (10,79%), educação (9,87%) e marketing, publicidade e comunicação (9,67%). “São atividades com forte contato com público, ritmo intenso, metas e, muitas vezes, jornadas irregulares”, afirmam os autores. “Para melhorar esse cenário, as lideranças precisam focar na gestão de carga de trabalho, pausas, suporte emocional e segurança psicológica.”

Percentuais menores — como o do setor financeiro, que também costuma concentrar pressão, metas e alta exigência — não significam ausência de problema. “Esse ainda é um tema que pode ser subnotificado em pesquisas, já que nem todo profissional se sente igualmente à vontade para nomear ou expor esse tipo de experiência”, explica Gil Cordeiro, especialista em pesquisas e tendências da Gupy. “Mas mesmo os pequenos percentuais já mostram pessoas em situação de risco, com potencial de afetar clima, desempenho e rotatividade.”

O estudo analisou os indicadores da base de pesquisas de engajamento da Gupy entre maio de 2025 e fevereiro de 2026, isolando o percentual de respostas em faixa crítica (notas abaixo de 5,0) para exaustão e burnout. O levantamento não mede a “prevalência oficial” de burnout no país, mas funciona como um termômetro para medir e comparar o risco entre os setores. “O volume real de casos tende a ser ainda maior, já que a síndrome costuma aparecer antes em sinais indiretos, como queda de engajamento, afastamentos e rotatividade, do que em respostas explícitas.”

A seguir, confira os setores com maior concentração de profissionais na faixa crítica de exaustão, segundo o levantamento.

Os setores com maior risco de burnout no Brasil

  1. Varejo e Atacado: 10,79%
  2. Educação: 9,87%
  3. Marketing, Publicidade e Comunicação: 9,67%
  4. Hotelaria e Restaurante: 9,55%
  5. Setor Público / ONGs: 9,14%
  6. Arte e Lazer: 8,38%
  7. Serviços de Saúde: 7,15%
  8. Consultoria: 6,04%
  9. Indústria: 5,40%
  10. Tecnologia e Software: 4,95%
  11. Transporte e Logística: 4,86%
  12. Agronegócio: 4,70%
  13. Serviços: 4,58%
  14. Governo e Órgãos Públicos: 4,42%
  15. Construção Civil: 3,82%
  16. Utilidade Pública (energia, água, telefonia etc.): 3,7%
  17. Financeiro: 3,2%

Fonte: Forbes Brasil


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