Publicado por Redação em Gestão do RH - 02/08/2023 às 10:12:52

Em clima de Copa, executivas relacionam o futebol à liderança corporativa



As brasileiras estrearam na Copa do Mundo feminina com uma goleada de 4 a 0 contra as panamenhas e recordes de audiência. Dentro e fora dos estádios, as mulheres começam a ganhar visibilidade em uma modalidade ainda dominado pelos homens – como tantos outros espaços da sociedade. 

A seguir, executivas apaixonadas por futebol contam como aliam o futebol ao trabalho e conectam skills que podem ser levadas dos campos ao dia a dia profissional, nas estratégias das organizações e na gestão de pessoas. 

Josie Jardim, líder jurídica da Amazon no Brasil 
“Me apaixonei pelo futebol ainda pequena, acompanhando os jogos do Santos com meu pai, em um radiozinho de pilha. Acredito que uma das razões que me fazem ser aficionada por esse esporte é o fato de que um time menor e ‘menos badalado’ pode ganhar uma partida e, às vezes, até mesmo um campeonato. Reconheço diversas semelhanças entre o futebol e a vida corporativa. Atletas e executivos precisam ser resilientes. Não ganhamos todos os dias e, principalmente, é importante jogarmos bem preparados e em equipe, entendendo as habilidades e capacidades individuais para conquistar nossos objetivos comuns. Se analisarmos a partir do ponto de vista do futebol feminino, ainda podemos vivenciar preconceitos, problemas estruturais e dúvidas a respeito da capacidade de entrega de resultados das mulheres. Felizmente, avançamos muito e mostramos que somos capazes e que queremos muito mais neste longo caminho de conquistas das mulheres. Faço questão de prestigiar a Copa do Mundo de Futebol Feminino para acompanhar os jogos e torcer pelas jogadoras que representam o Brasil no esporte mais amado do planeta.” 
 

Denise Brito, gerente de comunicação interna, qualidade de vida e eventos da Sodexo 
“O futebol, assim como nosso dia a dia de trabalho, é feito de paixão. A paixão muitas vezes vem de um espelho, seja de parentes e amigos torcedores, do pai em cuja profissão a criança se espelha. Comigo não foi diferente, inspirada pelo meu entorno, comecei a jogar bola por diversão, na rua, na escola, no clube. Com o passar dos anos, a paixão pelo futebol, seja para assistir ou jogar, continuou. Hoje, divido meus dias entre treinos, trabalho e o campeonato interno do clube – além de ir ao estádio assistir a alguns jogos. Dentro de quadra, a semelhança com o dia a dia no trabalho é latente. O jogo, assim como a rotina profissional, é estratégico e cheio de paixão. Não existe vitória apenas física, baseada em força. Existe comprometimento, organização, raça e muito foco naquilo que se quer conquistar. Na forma de líder, o técnico motiva sua equipe e uma das principais partes para que tudo aconteça é a comunicação, fundamental para o engajamento do time. Como atacante, consigo assemelhar a função com a de gestão ou de porta-voz, aquela pessoa que ‘dá a cara a tapa’, se coloca na frente, arrisca novas ideias, é criativa. Todas as posições, dentro e fora do campo, são essenciais para que tudo saia como o planejado. A principal diferença, para mim, é que o campo me ajuda muitas vezes a esvaziar a cabeça de dias cheios de informação na empresa.” 


Tatiane Pereira, gerente financeira da Softplan
“Quando eu tinha sete anos, meus tios me levaram em uma final de Campeonato Brasileiro entre Flamengo e Botafogo no Maracanã. Naquela época, o estádio tinha capacidade para mais de 100 mil torcedores. Lembro de sentir o chão literalmente tremer. A festa era tanta que eu não me recordo do jogo em si, mas destaco detalhes do clima da torcida. Foi ali que, pela primeira vez, me arrepiei e me emocionei com tamanha paixão das pessoas pelo futebol. Até hoje não perco um jogo do Flamengo. Quero saber tudo, desde a escalação, notícias de contratação e entrevistas dos jogadores. Como gestora de equipes, sempre digo para os novos profissionais que nós somos os técnicos ou treinadores dos nossos times. E, com essa função, somos os responsáveis por garantir que o plano acordado seja alcançado. O bom técnico é aquele que busca ter um time em sintonia e com espírito de equipe, muito bem treinado, com os objetivos e estratégias claras, preparado para enfrentar adversidades e que coloque cada um para atuar na posição em que entregue o melhor de si.”


Malu Weber, vice-presidente de comunicação do Grupo Bayer no Brasil 
“Como torcedora do Athletico Paranaense, meu Furacão, e grande fã de esportes, tenho convicção de que o mundo corporativo pode aprender muito com o futebol. Nesse constante movimento de transformação, são universos cada vez mais focados em performance e dados, ao mesmo tempo em que é importante valorizar as pessoas, estimulando sempre o melhor delas. O técnico Luiz Felipe Scolari [técnico da Seleção Brasileira quando venceu a Copa do Mundo em 2002] é um exemplo de liderança que pode ser incorporado ao mundo corporativo. Felipão é efetivo e afetivo: um profissional que tem régua alta, que cobra, exige e gesticula na beira do campo, treina muito e espera sempre a superação dos jogadores. Mas tudo isso embalado com afeto, motivação, respeito e um coração gigante. Ele cuida do seu time, celebra, empodera, confia, acolhe nas derrotas, orienta e constrói junto. Essa é a fórmula na qual acredito para vencer, dentro e fora de campo.” 


Flávia Ragugnetti, gerente de marketing da Galderma 
“A paixão pelo futebol acontece mais tarde para as meninas do que para os meninos, pois, geralmente, não somos incentivadas a assistir e acompanhar futebol. Comigo foi com 12 anos. Eu sempre dizia que era santista, que é o time do meu pai, mas não acompanhava todos os jogos. Mas, em 2002, ao seguir a campanha feita pelo Santos, tudo mudou! É possível levar muito do futebol para o dia a dia do trabalho. O conceito de equipe, cada um igualmente importante na sua função, a importância do treino e da preparação que antecedem o jogo. Mas, para mim, o principal ponto é a resiliência. É saber que fases difíceis vão acontecer, e o importante é ter um plano para passar por isso, com as pessoas corretas, todas trabalhando com um mesmo objetivo. O Palmeiras é um super exemplo disso, o clube voltou de um segundo rebaixamento para a Série B, se reorganizou, trabalhou e entrou na sequência mais vitoriosa da sua história.”


Larissa Gomes, gerente de consultoria contábil-financeira na Ernst & Young
“Minha paixão pelo futebol, em especial pelo Santos Futebol Clube, começou muito cedo, por influência do meu pai, e sempre contribuiu positivamente para os meus desafios pessoais e profissionais. Na empresa, assim como no futebol, você precisa analisar frequentemente a complexa combinação de variáveis com muita inteligência emocional, para que o seu processo decisório traga bons resultados e sirva de exemplo para todos os envolvidos. Em um mundo cada vez mais conectado, é muito importante, principalmente para a liderança, manter o seu time sempre motivado e com as expectativas alinhadas. É necessário encontrar o ponto de equilíbrio entre razão e emoção. Acompanhar e também jogar futebol me proporciona aprendizados muito valiosos para o exercício da minha liderança no dia a dia.” 


Gabriela Torres, gerente de inteligência de mercado da Softplan  
“Nasci em uma típica família gaúcha dividida, com um avô fanático pelo Grêmio e outro apaixonado pelo Internacional. Mas com pai e mãe torcedores fervorosos do Internacional, a escolha e a paixão vieram naturalmente para mim (e para a felicidade deles). O esporte, de um modo geral, traz muitos aprendizados para o nosso dia a dia. Jogar em equipe, ser resiliente, ter uma estratégia clara e vontade de fazer as coisas acontecerem são lições valiosas e que podem ser aplicadas no trabalho. Mas, quando falamos de futebol, acho que o ponto mais importante é ter um objetivo claro. No jogo, nem sempre é a equipe que ‘joga de forma mais bonita’, tem mais posse de bola ou chuta mais vezes a gol que vence. Quem realmente ganha é aquele que marca o gol de verdade. E acredito que essa visão pode ser levada para o mundo corporativo, pois muitas vezes, com todas as tarefas, acabamos nos esquecendo do nosso verdadeiro propósito, do que é realmente importante e do que estamos buscando. Mas quando nos lembramos do nosso objetivo, conseguimos retomar a estratégia com clareza, unir a equipe, deixar de lado os problemas menores e alcançar resultados juntos.”


Carolina Sposito, advogada tributarista do Trench Rossi Watanabe 
“Sou fã de futebol desde pequena, jogo desde os 11 anos e participo da Liga Jurídica, campeonato tradicional criado pelos principais escritórios de advocacia brasileiros. Para mim, o futebol é uma ótima oportunidade de estimular o trabalho em equipe, sobretudo no ambiente da advocacia. Dentro do campo, não importa o seu nível hierárquico: você é mais um integrante do time. E você precisa do trabalho em equipe para conseguir um resultado. Na advocacia, como no futebol, muito dificilmente você vai longe sozinho: as conquistas sempre dependem de um bom trabalho em equipe. Além disso, outras habilidades que se relacionam com o esporte são a capacidade de tomar decisões rápidas e o relacionamento interpessoal. Na advocacia, lidamos com conflitos diariamente e precisamos agir rápido, tomar boas decisões em um curto espaço de tempo. Outro ponto em comum é o desenvolvimento do bom relacionamento com as pessoas, algo que se relaciona com o trabalho em equipe.” 

Existem muitos paralelos entre a liderança dos negócios e prática esportiva de alto rendimento. Mas a característica mais marcante que conecta esses dois universos é a compreensão das pessoas. Grandes líderes, no esporte e nos negócios, são ótimos treinadores que ajudam os profissionais a atingir todo o seu potencial. Eles são os responsáveis por conectar talentos com diferentes habilidades e formações em uma equipe coesa que produz resultados extraordinários. Eles precisam ser autênticos e criar um ambiente de confiança e lealdade.

Para alcançar o alto desempenho, os líderes precisam definir a direção e os seus liderados devem se sentir capazes de tomar suas próprias decisões. O sucesso em campo é alcançado quando você tem um capitão forte e jogadores prontos para orientar toda a equipe a cumprir o plano. Como costuma acontecer, o jogo nem sempre sai conforme o planejado. E a equipe deve ser capaz de se adaptar às novas circunstâncias, contando com a orientação do treinador e líder e apoiada pela experiência dos jogadores mais seniores. Líderes não existem sem equipes, e um líder só tem alto desempenho se estiver elevando o desempenho geral da equipe. 

 

Fonte: Forbes
Fernanda de Almeida


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