Publicado por Redação em Notícias Gerais - 28/05/2013 às 09:17:04
Dilema do Copom: estimular economia ou controlar preços?
Sobre reunião, que começa nesta terça-feira (28) a aposta é de elevação da taxa de juros para 7,75%
A reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom/BC) que que começa amanhã e decide o rumo na quarta-feira definirá se a taxa básica de juros da economia, atualmente em 7,5%, voltará a subir depois da última elevação de 0,25%. O governo vive o dilema de impulsionar o crescimento, que anda a níveis baixos, através da redução da Selic, ou controlar a inflação, aumentando os juros e freando ainda mais a economia.
Porém, para Pedro Paulo Bastos, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a elevação dos juros não surtirá efeitos diretos na inflação. "A inflação resulta de uma alteração estrutural na distribuição de renda em direção ao setor de serviços e de pressões localizadas de custos, neste caso, choque agrícola. Logo a reação deve envolver incentivo localizado à ampliação da oferta ou a restrição localizada do crédito, e não por meio da elevação da Selic, que tem efeitos generalizados que podem inibir a ampliação da oferta através de investimento", analisa.
O Produto Interno Bruto (PIB) registra, desde 2012, índices muito abaixo do esperado pela equipe econômica do governo. Para estimular os setores produtivos e os investimentos, a presidente Dilma Rousseff tem autorizado constantes desonerações de impostos e descontos nas folhas de pagamento. Ainda sim, uma aparente contradição permanece: mesmo com o baixo crescimento, a inflação parece inabalável em seu ritmo de ascensão.
"Esta elevação de custos está associada a estrangulamentos de oferta, inclusive com estoques de produtos agrícolas", completa Bastos. Esta também é a opinião do economista Paulo Silveira, analisa da corretora CGD Securities.
"O que acelerou a inflação para esse nível, perto do teto da meta, foram choques, como a quebra da safra de grãos dos EUA, potencializada pela desvalorização do real frente ao dólar e pelo mercado de trabalho aquecido", afirma. Para ele, no entanto, as medidas compensatórias 'improvisadas" pelo governo, como desonerações, não atingem o objetivo esperado. "Estas medidas, ora para reduzir a inflação, ora para estimular a economia, não terão real efeito para o crescimento do país", analisa.
Ainda assim, a aposta é que o Copom eleve novamente os juros, para 7,75%. O consenso entre os economistas é um só: o nível de investimento precisa aumentar. Sem investimento, dizem eles, não haverá crescimento e corremos o risco de deixar para trás alguns importantes avanços.
Fonte: JB
Posts relacionados
Dólar opera em alta, com BC e preocupação com os EUA
O dólar comercial passou a operar em alta nesta segunda-feira (14),
Por crise, governo deve economizar menos que o previsto em 2013
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu nesta quarta-feira que o governo pode fazer um esforço fiscal menor que a meta estabelecida pelo governo. Todo ano, o governo economiza parte da arrecadação para fazer o chamado superávit primário, que é uma economia feita para pagar juros da dívida pública.
Brasil é o 45º em lista de países mais preparados contra crises
O Brasil ocupa um modesto 45º lugar no ranking de 139 países sobre os governos mais preparados para enfrentar riscos globais, como crise financeira, desastres naturais, mudanças climáticas e pandemias.
Mudança na poupança protege pequeno poupador, diz Dilma
A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (7) que a mudança para novos depósitos nas cadernetas de poupanças, anunciada pelo governo na semana passada, vai proteger o pequeno poupador, além de permitir que as taxas de juros continuem caindo.
População bancarizada cresce 6,3% em 2011
Em 2011, o número de brasileiros com conta-corrente ou poupança cresceu 6,3%, segundo pesquisa realizada pela Ciab Febraban.
Dólar segue melhora externa e opera em baixa ante real
O dólar perdia valor frente ao real nesta terça-feira, devolvendo parte da forte alta da véspera, em meio à melhora da percepção de risco nos mercados mundiais.


