Publicado por Redação em Saúde Empresarial - 31/03/2015 às 11:38:55

Brasil tem 64 planos de saúde sob intervenção federal

Outras 74 operadoras estão em processo de fechamento e antigos beneficiários já foram transferidos para outros planos de saúde.

O Brasil tem hoje 64 de planos de saúde sob intervenção federal que enfrentam problemas graves no atendimento. Os pacientes reclamam que, mesmo pagando caro, não tem acesso aos serviços. E a associação que representa as empresas diz que a culpa é do aumento dos custos.

Uma dolorosa espera castiga mãe e filha. O laudo mostra que Dona Tereza, de 83 anos, precisa operar com urgência porque ela tem varizes no esôfago com sinal de sangramento. A internação chegou a ser autorizada pelo plano, mas a cirurgia ainda não foi marcada. A filha, Luiza, anotou os detalhes das dez conversas pelo telefone com os atendestes da Unimed Rio, nos últimos dois meses. A justificativa é a falta de elásticos usados na cirurgia.

“A desculpa é que o fornecedor está sem o material, só que o próprio médico que vem acompanhando o caso já forneceu dois outros telefones de fornecedores que poderiam estar vendendo este material para a Unimed e até agora nada”, afirma Luiza Machado Carneiro.

A mensalidade cara, de mais de R$ 900, não garantiu até agora o atendimento. “O prazo venceu no dia 20 de março, eu deveria estar com tudo pronto, com a minha mãe internada fazendo a ligadura. É a vida dela que está em risco”, diz Luiza Machado Carneiro.

A Unimed Rio tem mais de 1 milhão de usuários. Com problemas financeiros, o grupo foi submetido a um controle da Agência Nacional de Saúde Suplementar. Atualmente 64 operadoras estão sob o regime de direção fiscal, ou seja, tem um agente nomeado pela ANS acompanhando a gestão das empresas. Outras 74 operadoras estão em processo de fechamento e os seus antigos beneficiários já foram transferidos para outros planos de saúde.

Mas para a agência, não há uma crise no setor e a Unimed Rio tem condições de se recuperar. Por isso, não foi decretado o regime de portabilidade especial, uma medida adotada em situações mais críticas, quando a empresa está à beira da falência. Nesses casos, os beneficiários podem pedir a transferência imediata para outras operadoras, sem prazo de carência.

Para quem está tendo dificuldade no cumprimento de prazos, a orientação é levar a reclamação para a ANS. “Ele tem que buscar a ANS e ANS vai agir com as medidas previstas na legislação para que esse atendimento seja oferecido na forma que está no contrato”, diz diretor adjunto de normas e habilitação da ANS César Serra. A advogada Melissa Areal Pires aconselha quem tem pressa a procurar a Justiça, após o registro da queixa na ANS. “Em casos de urgência, em casos de necessidade de continuidade de tratamento um processo para obrigar o plano de saúde a dar a cobertura que foi contratada”, explica.

Sobre o caso da paciente mostrado na reportagem, a Unimed Rio alegou que houve demora porque o primeiro fornecedor indicado pelo médico não tinha o equipamento pedido. E informou que o procedimento agora foi autorizado. A Unimed afirmou ainda que já vem adotando medidas para enfrentar o desequilíbrio financeiro e que o pagamento da rede de cooperados está em dia.

Fonte: Jornal do Brasil


Posts relacionados

Saúde Empresarial, por Redação

Reajustes de planos de saúde coletivos podem chegar a 538,27%

Pesquisa do Idec indica que índice médio de reajuste foi de 82,21%. Contratos coletivos não têm valor máximo de reajuste definido pela ANS

Saúde Empresarial, por Redação

MS investe em ações para aumentar expectativa de vida

Brasil está inserido no relatório global que confirma aumento da expectativa de vida mundial, com menos qualidade. O Plano de Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis, lançado pelo Ministério da Saúde, visa reverter esse cenário

Saúde Empresarial, por Redação


Deixe seu Comentário:

=