Publicado por Redação em Saúde Empresarial - 06/11/2015 às 11:29:16

Planos de saúde: como consertar?

A receita das operadoras para combater custos médico-hospitalares fora de controle

A alta persistente dos custos médicos e os preços cada vez mais doentios dos planos de saúde não serão resolvidos com apenas um remédio. Será preciso um verdadeiro coquetel de medidas, mas o Governo e o setor privado ainda não estão engajados numa discussão substantiva sobre o assunto.

O diagnóstico é do presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), que reúne 18 operadoras de planos privados de saúde, em conversa com a coluna.

Economista de formação, Coriolano também é presidente da Bradesco Saúde e membro do conselho de administração da Odontoprev e do Grupo Fleury.

Nos últimos anos, muitas operadoras — incluindo a Bradesco Saúde e a Amil — pararam de oferecer planos individuais, cujos preços são controlados pelo Governo.

Os planos individuais se tornaram fonte de prejuízo para as operadoras por dois motivos principais.

Primeiro, porque a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) historicamente concede reajustes abaixo da chamada ‘inflação médica’ (o custo dos equipamentos e serviços usados nos exames e procedimentos). Entre 2007 e 2014, a ANS aprovou um reajuste acumulado de 76,6% nos planos individuais, enquanto a variação de custos médico-hospitalares, calculada pelas operadoras, foi de 158%

Segundo, porque todo ano a Justiça (ou a ANS) obrigam as operadoras a cobrir novos tratamentos e procedimentos.

A coluna já abordou o assunto numa entrevista com o CEO da Qualicorp, no início deste ano.

Coriolano defende que o Brasil copie as melhores práticas de sistemas de saúde de outros países, como o Reino Unido, onde há planos menos abrangentes, com uma cobertura básica e portanto mais baratos, e onde o sistema de saúde incentiva os pacientes/consumidores a ir primeiro ao clínico geral, evitando os custos de consultas desnecessárias junto a especialistas.

“No Reino Unido, o general practitioner [clínico geral] é a porta de entrada,” diz Coriolano. “Dali, o paciente é encaminhado ao especialista correto depois do diagnóstico.”

O tema vai ser debatido no 1º Fórum da Saúde Suplementar, que acontecerá em 24 e 25 de novembro em São Paulo.

No complexo debate sobre como tornar a saúde um bem verdadeiramente acessível — uma discussão na qual inevitabilidades econômicas competem com sensibilidades políticas — essa conversa com Coriolano é um bom começo para se entender as variáveis envolvidas nessa equação tão delicada.

Fonte: Revista Veja


Posts relacionados

Saúde Empresarial, por Redação

Turbine seu sistema imunológico

Cuidar da saúde requer tempo e dedicação, mas existem pessoas que se preocupam por ela só quando contraem alguma doença grave. Têm outras que acham que com alguns medicamentos resolvem o problema.

Saúde Empresarial, por Redação

Vacinação contra a gripe é prorrogada até 13 de junho

A campanha de vacinação contra a gripe, iniciada em 5 de maio, e que se encerraria nesta sexta-feira, 1º de junho, foi prorrogada novamente até quarta-feira, 13, em função do baixo número de pessoas que procuraram os postos de saúde.

Saúde Empresarial, por Redação

Pesquisa desenvolve vacina promissora contra a hepatite C

Uma nova vacina contra a hepatite C mostrou resultados promissores em um ensaio clínico em estágio inicial com pessoas. A equipe de pesquisadores disse que a vacina, baseada em um vírus do resfriado modificado e testada de maneira segura em 41 pessoas,

Saúde Empresarial, por Redação

Uso de dispositivos pode aumentar distração da equipe médica

Pesquisa publicada pela Perfusion, publicação especializada em cirurgia de bypass cardio-pulmonar, aponta que 55% dos profissionais admitem ter falado ao celular ou enviado mensagens de texto durante os procedimentos cirúrgicos

Saúde Empresarial, por Redação

Termina nesta quinta mutirão de uma semana de testes de HIV em SP

Termina nesta quinta-feira (1º), em São Paulo, um mutirão de testes de HIV. Somente entre a última quinta e o domingo, o Fique Sabendo, campanha da Secretaria de Estado da Saúde, 51 mil exames gratuitos foram realizados em 500 municípios de todo o estado de SP.

Saúde Empresarial, por Redação

SUS: terceirização é antônimo de direito à Saúde

Carvalhaes critica o direcionamento de até 25% dos leitos de hospitais e unidades de saúde pública para pacientes conveniados

Deixe seu Comentário:

=