Publicado por Redação em Carreira | 14/09/2020 às 18:30:02

Busca de emprego: o que o profissional de RH deve fazer para se recolocar



A sociedade ainda está enfrentando os desdobramentos da crise provocada pelo novo coronavírus. E uma das grandes consequências é a desaceleração econômica que afeta os empregos. Estimativas mais recentes da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostram que quase 38% da força de trabalho no planeta, o equivalente a 1,25 bilhão de pessoas, está empregada em setores que sentiram profundamente a paralisação das atividades.

No Brasil, há reflexos. Além do alto desemprego, que chegou a 13,7% em julho, de acordo com a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua do IBGE, as empresas de recrutamento sentem a movimentação de mais profissionais procurando trabalho. “A demanda aumentou por volta de 20% em relação ao mesmo período do ano passado. Percebemos o aumento da demanda por profissionais melhores remunerados, ou seja, os altos escalões das empresas também foram afetados”, diz Leonardo Freitas, CEO da HW Human Capital, empresa especializada em recrutamento.

A seguir, especialistas explicam o que o profissional de RH deve fazer em sua busca por recolocação.

Bom momento para o RH

Para quem perdeu o emprego, a primeira orientação é difícil, porém necessária: mantenha a calma.  Juliana Nascimento, diretora no Grupo Cia de Talentos, explica que o momento é desafiador, mas tem se mostrado um terreno muito fértil para profissionais de RH. Isso porque esses profissionais estão no centro da estratégia: “O RH já vinha fazendo parte desse movimento de transformação digital, mas agora ele se torna essencial”, diz. Alexandre Benedetti, diretor da consultoria de recrutamento Talenses Group, concorda: “Essa talvez tenha sido a crise em que os RHs tenham sido muito mais protagonistas desde o início.”

Revisite seu propósito

Claro que a notícia de uma demissão é sempre difícil. Mas antes de buscar emprego, realizar o exercício de refletir sobre seu caminho profissional, pode ser interessante e, inclusive, essencial para você conseguir sua recolocação. “Olhe para dentro num processo de autoconhecimento para entender qual seu propósito e onde você quer estar, não só para agora, mas para o futuro”, explica Juliana.

Repensar sobre propósito foi o que Cristina Coral, de 27 anos, fez ao ser demitida durante a pandemia. A psicóloga de formação, que construiu sua carreira na área de RH, aplicou em si mesma as ferramentas de mentoria, que usa há três anos em sua atuação como mentora de carreira. “Percebi que, nesse momento, eu queria aproveitar essas novas possibilidades e me arriscar.” Cristina começou a usar suas redes sociais para produzir conteúdo sobre desenvolvimento e carreira e, mesmo sendo convidada para algumas posições, passou investir no caminho de consultoria, palestras e cursos.

Organize e acione sua rede de contatos

Antes de conversar com quem você conhece, é importante desenhar um mapa de contatos e saber exatamente o papel de cada um deles na sua busca pela recolocação. Juliana, da Cia de Talentos, indica anotar quem são as pessoas e onde elas estão. Além disso, vale categorizar: divida os contatos por setores, negócios e empreendimentos que te interessam;  pelos vínculos mais próximos;  e pela ajuda no desenvolvimento de habilidades específicas durante a recolocação.

Mas Alexandre, do Talenses Group,  alerta: é importante saber como abordar seus conhecidos. “Primeiro entenda quem é o contato e qual seu objetivo com ele. E aí você tem que ser muito transparente, muito objetivo e muito direto. Objetividade e clareza do porquê e para que você está fazendo aquele contato”.

O cuidado precisa ser redobrado para não ser inconveniente. Nessa hora, Juliana, relembra que, no fim do dia, aquele contato é um profissional de RH também. “ Por isso é tão importante fazer uma reflexão do que funciona para você, porque é provavelmente o que vai funcionar para o mercado”,  explica.

Ajuste suas competências

As duas palavras-chaves para as empresas no momento são: capacidade de adaptação e empatia. “Adaptabilidade no sentido mais amplo da palavra, como você trabalha, como você enxerga o negócio, como você se comunica, trabalha”, diz Alexandre. Essa competência se mostra crucial por conta dos tempos em que vivemos. Já que estamos no famoso mundo VUCA (acrônimo em inglês para Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo), o jogo de cintura e a mudança e mentalidade são fundamentais. “Os modelos de hierarquia vão se transformar. Um executivo de RH que tenha muita ligação com status das posições hierárquicas precisa rever isso, porque talvez as organizações não sejam tão verticais como elas eram”, explica Juliana.

A empatia também se mostra essencial, já que ter uma escuta ativa é algo altamente demandando, principalmente, das lideranças. “Empatia é ‘ouvir o inaudível’, o que cria um líder que passa a inspirar confiança”, diz.

Saiba contar a sua história

Se você chegar até a etapa da entrevista de emprego, lembre-se que algo faz a diferença: saber contar sua história. Luciana Pires, gerente da divisão de recursos humanos da Talenses, diz que, embora isso pareça algo simples, é comum que os candidatos não se preparem para mostrar seu real valor. “Às vezes passou 30 minutos de entrevista e ele te contou muito pouco”, diz Luciana. E ela dá a dica. Para convencer o entrevistador que você é a pessoa ideal para a vaga, conecte suas habilidades com exemplos de momentos profissionais e explique como você atuou durante a crise. “Saber contar sua história não é ser um bom vendedor, é saber colocar os principais aprendizados e desafios que você teve”, diz Alexandre.

Como ela conseguiu

Que esse é um momento de desafios, não há dúvidas, mas há também quem não perca a esperança – Maria Melo, de 24 anos, é uma dessas pessoas. Ela começou a pensar em fazer uma transição de carreira no início do ano. A profissional, que iniciou sua trajetória com apenas 14 anos como Jovem Aprendiz, saiu de uma empresa focada em inteligência emocional para trabalhar numa multinacional de tecnologia.

Ela conta que conseguiu ser contratada, em julho, como analista de desenvolvimento organizacional através de uma candidatura feita pelo LinkedIn e acredita que a vontade de fazer uma transição de carreira tenha se intensificado pelo momento que estamos vivendo. “Tive um grande período de autorreflexão, acredito que a somatória do fator pandemia teve um grande peso neste momento”, diz.

Além da autorreflexão, Maria também mergulhou em livros e cursos online, por meio de plataformas de educação, e acionou a rede de contatos. “Busquei uma visão externa para que pudessem avaliar o meu currículo e me dessem dicas sobre como estava o mercado”, explica. Para ela, o que fez a diferença foi estar preparada durante a entrevista. “Nos processos seletivos, sempre busque conhecer o máximo sobre a empresa desejada. Um candidato que busca detalhes sobre a trajetória da empresa é um diferencial”.



Fonte: VOCÊ S/A


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