Publicado por Redação em Gestão do RH | 13/10/2021 às 09:57:38

Brasileiro está ansioso mas sente orgulho e realização no trabalho



Uma nova pesquisa reforça a importância e o grande significado do trabalho na vida dos brasileiros. Com a análise dos dados, é possível perceber que os brasileiros possuem um sentimento de realização e orgulho com relação ao seu trabalho, mas em um cenário com alta ansiedade e pouca segurança psicológica, afirma Renata Rivetti, fundadora e diretora da Reconnect | Happiness at Work, empresa brasileira especialista em felicidade corporativa e liderança positiva. O levantamento, que ouviu 1.500 pessoas de 51 países, sendo 22,3% brasileiros, foi conduzido pela Happiness Business School Global Partnership, e no Brasil foi divulgado pelo parceiro exclusivo da instituição, a Reconnect | Happiness at Work. A pesquisa foi realizada entre maio e julho de 2021.

Com o objetivo de capturar os sentimentos dos profissionais neste momento de mudanças práticas - como a volta aos escritórios e os novos modelos de trabalho -, a pesquisa mostra que 73,41% dos brasileiros participantes disseram sentir orgulho e realização no trabalho pelo menos uma vez por semana. “Apesar de um pouco abaixo do global - 77,56% - ainda é um dado positivo”, diz Rivetti.

Além disso, 80,9% dos brasileiros participantes disseram que sentem que seu trabalho impacta positivamente a sociedade, dado semelhante ao global (80,73%).

Porém, ressalta a especialista, apesar da importância e do significado do trabalho na vida dos brasileiros, ainda há muita desmotivação, altas taxas de ansiedade e falta de segurança psicológica.

Somente 19,93% dos brasileiros participantes disseram que estão muito otimistas e com as suas escolhas atuais, versus 29,9% do global. Outro ponto relevante é a falta de segurança psicológica nas empresas: somente 38,5% dos brasileiros participantes disseram ter uma relação de confiança e abertura com o líder.

Mais um dado que vale destacar, segundo Rivetti, são os pontos que afetam o trabalho dos brasileiros. Para os participantes da pesquisa, são os seguintes fatores: em primeiro lugar o significado, em segundo lugar a autorresponsabilidade, em terceiro a cultura da empresa, seguido pelo líder, os colegas de trabalho e por último, o RH. “Isso nos mostra que os participantes têm a consciência de que a felicidade no trabalho depende menos do mundo e da empresa perfeita e mais de suas escolhas e da sua forma de enxergar seu propósito”, afirma a especialista.

Sobre o momento presente, os brasileiros estão priorizando a sua saúde mental, seguido da sua saúde física, a realização de seus sonhos, em quarto ganhar dinheiro, em quinto continuar na empresa e por fim, mudar de trabalho. “A conclusão é que, neste momento, as pessoas estão priorizando a si mesmas para depois pensarem na autorrealização. A pandemia impactou demais nossas prioridades e não há como ignorarmos a nossa saúde mental e física.”

Ainda de acordo com a pesquisa, pouquíssimos brasileiros (3%, contra 10% no global) dizem que nunca se sentem ansiosos em relação ao trabalho. Rivetti lembra que o Brasil, em muitos indicadores de saúde mental, apresenta taxas desafiadoras, um dos piores cenários do mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o país é considerado o mais ansioso globalmente. “Temos uma cultura que valoriza a sobrecarga de trabalho, além da produtividade associada a muitas horas trabalhadas, o que nos traz um sentimento de que estamos ‘sempre devendo para a empresa’”, afirma. Além disso, ela continua, “há o grande número de desempregados e a instabilidade política, que nos deixa ainda mais preocupados com relação ao futuro. Isso traz para o trabalho um grau de ansiedade ainda maior do que em outros países”.

Ao mesmo tempo, a pesquisa mostra que o brasileiro parece mais comprometido com o trabalho (60% contra 51% no global). Rivetti acredita que esse dado se explica pelo mesmo motivo das altas taxas de ansiedade. “A preocupação de ter que se dedicar ao trabalho para não perder o emprego, o mito de que para sermos produtivos precisamos trabalhar muito e até a cultura ‘workaholic’ - que é supernatural no Brasil. Esse alto nível de comprometimento tem dois lados: somos um país que valoriza o trabalho e isso pode ser um fator positivo, que traz realização e significado à vida das pessoas. Porém, também pode indicar a falta de segurança psicológica, de não sabermos como dizer ‘não’ a essa sobrecarga e ao excesso de reuniões, por medo de sermos punidos ou julgados.”



Fonte: Valor


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