Publicado por Redação em Saúde Empresarial - 10/01/2011 às 12:04:16

Risco de contrair HIV no País é 20 vezes maior do que nos EUA

por Saúde Business Web
10/01/2011

Ministério da Saúde questiona estudo da Fundação Pró-Sangue de São Paulo feito por estimativa.

O risco de contrair HIV em transfusões de sangue no Brasil é 20 vezes maior do que nos Estados Unidos, segundo pesquisa feita em três hemocentros brasileiros no período entre 2007 e 2008. O trabalho, feito por estimativa, calcula que uma em cada 100 mil bolsas de sangue do País podem estar contaminadas pelo vírus causador da aids. Nos EUA, a relação é de 1 para cada 2 milhões de bolsas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

No entanto, nos últimos anos, os índices brasileiros têm melhorado. Uma versão anterior do levantamento indicava que 1 em cada 60 mil bolsas poderiam estar contaminadas pelo HIV. De acordo com os números atuais da Fundação Pró-Sangue de São Paulo, entre 30 e 60 pessoas por ano podem ser contaminadas por sangue doado.

Na versão anterior da pesquisa, a estimativa era de que entre 50 e 100 indivíduos pudessem se infectar. O coordenador nacional da Política de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde, Guilherme Genovez, questiona os índices apresentados no estudo. Para ele, os dados foram feitos por estatística e não podem ser considerados fato.

Ainda de acordo com a reportagem, para mostrar a segurança do sangue no Brasil, Genovez cita um levantamento feito em 130 mil bolsas de sangue coletadas em hemocentros de Santa Catarina, São Paulo, Rio e Pernambuco: o vírus não foi identificado em nenhuma amostra.

Financiado pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH, em inglês), o levantamento coordenado por Ester Sabino, da Fundação Pró-Sangue de São Paulo, foi feito a partir da análise de bolsas de sangue coletadas nos hemocentros de São Paulo, Minas e Pernambuco. Durante a apresentação dos resultados, em congresso da Associação Americana de Bancos de Sangue, a autora classificou como "alto" o risco residual para HIV em transfusões de sangue no Brasil. A doação no País, no entanto, é precedida de uma série de cuidados: os candidatos passam por entrevistas para detectar situações de risco de contaminação recente com o vírus. Passada essa fase, o sangue é submetido a testes para identificar a presença do HIV.

O problema está no que médicos chamam de janela imunológica, período no qual a presença do vírus não é descoberta pelo exame. O mesmo problema ocorre com hepatite C, cuja janela imunológica é de 50 dias. Os reflexos dos exames "falso negativos" podem ser constatados nas estatísticas. Dados do Ministério da Saúde mostram que 13,3% dos casos da doença confirmados em 2009 foram causados por transfusão de sangue.

Exame mais seguro está atrasado

Uma das alternativas para melhorar a segurança é a introdução de rotina do uso de um teste batizado de NAT, que identifica traços do vírus no sangue e não de anticorpos, como os exames tradicionais.

Ester calcula que, com o início do teste, o risco de infecção por HIV passaria de 1 em 100 mil para um em cada 250 mil. Esses testes, desenvolvidos pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), reduzem de forma significativa a janela imunológica de HIV e Hepatite C e já estão sendo usados, em caráter experimental, em alguns pontos do Brasil, como São Paulo, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Pernambuco.

Entretanto, a implantação do projeto está atrasada. Segundo o coordenador nacional da Política de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde, Guilherme Genovez, há exigências legais, burocracia que muitas vezes impede a agilidade necessária.

Para a pesquisadora da Fundação Pró-Sangue Ester Sabino, responsável pelo levantamento sobre contaminação de HIV nas bolsas de sangue, a implantação do NAT não é uma operação simples, pois o custo é elevado e é preciso treinar os hemocentros para a nova técnica.

Na opinião de Ester, alguns resultados apontados no estudo mostram que outras estratégias podem ser colocadas em prática, além da melhoria técnica dos exames. O principal, em sua avaliação, é a conscientização dos doadores. O trabalho da pesquisadora mostra uma diferença significativa de risco de HIV em bolsas de doadores de repetição e os que procuram centros para repor estoques, a pedido de pacientes.

O levantamento constatou ainda que o risco calculado entre doadores da comunidade é de duas a três vezes maior que o dos doadores de repetição. Os riscos entre doadores homens é maior do que entre as mulheres. Segundo Ester, uma das possibilidades seria a das mulheres fazerem mais o teste HIV, sobretudo em pré-natal.


Posts relacionados

Saúde Empresarial, por Redação

Hospital São Francisco de Ribeirão Preto adota novos processos de gestão

Ganhos incluem redução dos estoques de medicamentos, melhor desempenho da Central de Material Esterilizado e redução de atrasos em cirurgias

Saúde Empresarial, por Redação

Brasileiros desenvolvem vacina terapêutica contra o câncer

Uma equipe da Faculdade de Medicina da USP desenvolveu uma vacina personalizada contra o câncer.

Saúde Empresarial, por Redação

Cresce atuação internacional da Anvisa, diz Barbano

A atuação internacional da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem crescido para garantir a qualidade dos produtos farmacêuticos e alimentares que vários países desejam exportar para o Brasil.

Saúde Empresarial, por Redação

Greve não afetará serviços de urgência e emergência, diz ministro

Durante o Encontro de Líderes Empresariais, ocorrido na segunda-feira, em São Paulo, o ministro da saúde, Alexandre Padilha, declarou que o ministério da saúde está aberto ao diálogo e aguarda as reivindicações das entidades médicas para que governo e servidores cheguem a um acordo.

Saúde Empresarial, por Redação

Cloud computing na saúde: um processo em andamento

Para diretor da InterSystems, a demanda pelo serviço ainda vai chegar ao Brasil. Companhia já provê cloud para países como o Chile

Deixe seu Comentário:

=