Publicado por Redação em Saúde Empresarial - 19/11/2025 às 09:28:51

Insatisfação com o próprio bem-estar aumenta entre os brasileiros, mostra estudo

A satisfação dos profissionais brasileiros com seus níveis de bem-estar piorou no último ano, segundo um levantamento da Vidalink. Entre as mulheres, a insatisfação cresceu quatro pontos percentuais: 29% delas estão insatisfeitas. Entre os homens, houve um aumento de cinco pontos: 17% deles acreditam que a saúde mental poderia estar melhor.

Os dados são parte da terceira edição de uma pesquisa da empresa de bem-estar corporativo, que analisou dados de mais de 11 mil colaboradores de 250 companhias de diversos setores. Os entrevistados responderam a um questionário online por meio do aplicativo da Vidalink entre janeiro e junho de 2025.

O levantamento mostrou também que menos profissionais estão praticando exercícios físicos com frequência – ou seja, pelo menos uma vez por semana. Em 2024, 52% dos profissionais se exercitavam regularmente; em 2025, esse índice caiu para 41%.

A satisfação dos brasileiros com suas dietas também caiu de 34% para 21%, e a percepção de fadiga mental se manteve alta do último ano para cá: mais da metade dos entrevistados (63%) relatam experimentar sentimentos negativos com frequência. 34% deles estão ansiosos; 19% estão ansiosos e angustiados; e 10% não sentem vontade de fazer nada no dia a dia.

Desigualdades no bem-estar

O levantamento demonstrou que mulheres, negros e jovens são mais vulneráveis quando o assunto é bem-estar.

Sete em cada dez mulheres sentem ansiedade, falta de motivação ou angústia frequentemente, por exemplo, versus 51% dos homens. Elas buscam mais suporte, fazendo terapia ou utilizando medicamentos, mas continuam com os piores índices de satisfação geral com o bem-estar. Além disso, 38% delas vivem a dupla jornada, contra 24% dos homens.

A geração Z, por sua vez, é a mais insatisfeita com o próprio bem-estar: 30% dos profissionais nesta faixa etária acreditam que poderiam se sentir melhor no cotidiano. Essa também é a geração que mais declara não fazer nada para cuidar da saúde mental.

“Os jovens estão mais conscientes sobre a saúde mental, mas também mais adoecidos”, afirma Luis Gonzalez, CEO da Vidalink. “É uma geração que vive sob o paradoxo da autonomia e da exaustão: quer liberdade, mas enfrenta instabilidade e pressão constante por performance. Reconhecem a importância do autocuidado, porém ainda não conseguiram as condições necessárias para chegar a esse patamar.”

Já as pessoas pretas e pardas são as que enfrentam mais barreiras para cuidar do próprio bem-estar. 36% dos profissionais deste grupo não fazem nada para melhorar a saúde mental, e apenas 27% estão satisfeitos com a saúde física. Entre os profissionais brancos, esses índices são de 24% e 25% respectivamente.

“Essas diferenças evidenciam que o bem-estar também é uma questão de equidade e acesso”, argumenta Luis Gonzalez.

Para Lina Nakata, consultora em gestão de pessoas que participou da análise dos dados, as estratégias de diversidade e inclusão das empresas devem considerar que existe “uma necessidade de dar maior suporte e atenção às discrepâncias dos indicadores de bem-estar entre os grupos [mencionados acima]”.

Como os profissionais cuidam de si mesmos

O levantamento da Vidalink mostrou que o autocuidado ainda é uma exceção. 30% dos trabalhadores não fazem nada para cuidar da saúde mental, e os homens continuam mais propensos à inação do que as mulheres.

Exercícios físicos são a prática preventiva mais realizada pelos trabalhadores para cuidar da saúde mental (34%), sendo mais predominante entre os homens (39%). Por outro lado, as mulheres fazem mais terapia (16%) do que eles (8%).

De modo geral, apenas 12% fazem terapia regularmente e 9% praticam meditação. O uso de medicamentos aumentou em todas as faixas etárias, o que indica um padrão de cuidado reativo, quando o tratamento começa só após o adoecimento.

O que as empresas devem fazer

Para os especialistas, o futuro do bem-estar no trabalho depende de três atitudes das empresas: diagnosticar com precisão os grupos mais vulneráveis física e mentalmente; implementar políticas e benefícios que abordem de forma efetiva os cinco pilares do estudo (saúde física, mental, sono, alimentação e finanças pessoais); e formar líderes preparados para sustentar uma cultura de cuidado real.

Lina ressalta que o papel dos gestores é essencial para transformar o discurso em prática. “Os líderes precisam praticar a empatia no dia a dia, ouvindo suas equipes sobre o que sentem e identificando as causas de queda de desempenho, seja por falta de sono, alimentação inadequada, metas excessivas ou excesso de horas extras.”

Ela destaca que a parceria entre RH e liderança é decisiva para reconhecer sinais precoces de sofrimento e agir com rapidez, seja oferecendo descanso, reorganizando tarefas ou direcionando o colaborador para programas de apoio.

Luis concorda que o futuro do bem-estar nas organizações “depende da maturidade das lideranças”, que precisam complementar os benefícios de saúde mental oferecidos pelas empresas promovendo espaços de diálogo e segurança psicológica, além de avaliar a sobrecarga no ambiente de trabalho.

“Empresas que integram dados, empatia e estratégia serão as mais preparadas para promover ambientes saudáveis e sustentáveis”, afirma o especialista.

Fonte: Você RH


Posts relacionados

Saúde Empresarial, por Redação

UTI pode desencadear estresse pós-traumático, revela estudo

Quando Lygia Dunsworth estava sedada, entubada e amarrada a um leito da unidade de terapia intensiva de um hospital em Fort Worth (no Texas), ela foi atormentada por alucinações.

Saúde Empresarial, por Redação

ANS vai definir princípios para oferta de medicação domiciliar

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) anuncia nesta quinta-feira (30) consulta pública para a proposta de Resolução Normativa que vai estabelecer princípios para a oferta de medicação de uso domiciliar para beneficiários de planos de saúde portadores de patologias crônicas.

Saúde Empresarial, por Redação

Proposta cria critérios para comissões gestoras do SUS

A Câmara analisa o Projeto de Lei 2570/11, do deputado Francisco Escórcio (PMDB-MA), que estabelece critérios para a composição e a deliberação das comissões intergestores do Sistema Único de Saúde (SUS).

Deixe seu Comentário:

=