Publicado por Redação em Saúde Empresarial - 22/03/2011 às 11:13:51

Informação demais confunde memória, comprova estudo

O excesso de informações confunde o cérebro e dificulta a memorização, comprovaram pesquisadores das universidades Stanford e Yale, nos EUA.

"Descobrimos que a concorrência entre lembranças resulta em memória pior", disse à Folha o psicólogo Brice Kuhl, pesquisador de Yale e principal autor do trabalho.

Diariamente e o tempo todo, o cérebro é exposto a toneladas de informações. Umas são mais lembradas do que outras.

"Embora saibamos que a competição entre memórias é uma parte fundamental da memorização, há poucas provas de como o processo acontece no cérebro", escrevem os autores, no artigo publicado ontem na revista "Proceedings of the National Academy of Sciences".

O estudo monitorou com ressonância magnética a atividade cerebral de voluntários, durante teste composto de várias rodadas.

No teste de memória, imagens e informações eram misturadas em placas e as pessoas deviam se lembrar do conteúdo separadamente.

Os pesquisadores descobriram que, quando a lembrança era clara, era como se a pessoa revivesse o momento em que a memória foi armazenada, com a ativação das mesmas áreas cerebrais.

Mas, quando as informações foram misturadas, o cérebro também se confundiu e tentou reproduzir duas memórias. A pessoa teve dificuldade de se lembrar com clareza do conteúdo.

"É como se a memória estivesse borrada. Pode-se dizer que quando tentamos guardar duas coisas, não guardamos nenhuma delas direito", afirma Cláudio da Cunha, pesquisador de neurociência e farmacologia da Universidade Federal do Paraná.

MEMÓRIA FOTOGRÁFICA

Para a bióloga e neurocientista, Valéria Catelli Costa, pesquisadora da USP, o maior achado do trabalho foi mostrar como as memórias são codificadas no cérebro, formando "desenhos".

A facilidade ou dificuldade de se lembrar de um acontecimento depende de como essa codificação foi feita.

"Quanto mais você associa dados a um fato, mais fácil fica de você se lembrar, e melhor é a codificação."

Segundo os autores, a codificação é influenciada por memórias antigas e analogias com eventos diferentes.

"Pode ser uma influência negativa ou positiva. A memória de um número de telefone velho torna mais difícil aprender um novo número", exemplifica Kuhl.

Mas, também, um especialista em vinhos só é especialista porque se lembra de conhecimentos anteriores.

"Selecionamos memórias úteis. Guardamos o que é requisitado em tarefas", diz o neurologista Benito Damasceno, da Unicamp.

Para ele, o processo de competição é positivo, porque nos torna capaz de separar o que é importante."Com a seleção conseguimos consolidar um aprendizado e reviver um acontecimento."

O problema é que nem sempre essa seleção é consciente. Para o pesquisador americano, não existem memórias mais fortes do que outras. Então, não adianta muito se esforçar para lembrar a data do aniversário de casamento, por exemplo.

"Queremos pensar que as memórias emocionais ou afetivas são mais fortes, mas nem sempre isso é verdade."

Fonte: www1.folha.uol.com.br | 22.03.11 


Posts relacionados

Saúde Empresarial, por Redação

Sistema aprimora gestão de recursos em CTI de Santa Casa

Segundo gestores, monitoramento de dados clínicos – que substituiu controle manual em planilhas – reforçou segurança assistencial e controle de recursos públicos

Saúde Empresarial, por Redação

Brasil supera meta de crescimento de doadores

Investimentos para ampliação dos transplantes e captação de órgãos contribuem para o crescimento da assistência no SUS

Saúde Empresarial, por Redação

Quase 80% das mulheres com mais de 70 anos tem equilíbrio ruim por causa do sedentarismo

A falta de atividades físicas na terceira idade afeta diretamente nas reações metabólicas, neuromotoras e funcionais, segundo um estudo inédito da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, em parceria com o Celafiscs

Saúde Empresarial, por Redação

Uma em seis pessoas com implante em artéria volta ao hospital

Uma em cada seis pessoas que colocam um stent (implante para desobstruir artérias) acaba voltando ao hospital em menos de 30 dias.

Deixe seu Comentário:

=