Publicado por Redação em Saúde Empresarial - 08/07/2025 às 14:29:30

Como comunicar ao seu chefe que você tem TDAH

TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) atinge de 5% a 8% da população mundial, segundo a ABDA (Associação Brasileira do Déficit de Atenção). Embora seja um dos distúrbios do neurodesenvolvimento mais comuns, ainda existem estereótipos que dificultam a abertura sobre o diagnóstico no ambiente de trabalho.

De acordo com a Associação Americana de Psicologia, o TDAH é uma “condição comportamental que dificulta manter o foco em tarefas e rotinas do dia a dia”. O transtorno geralmente é diagnosticado na infância, mas muitas vezes passa despercebido na vida adulta.

Conviver com o TDAH no ambiente de trabalho pode ser desafiador, especialmente porque muitas pessoas hesitam em compartilhar o diagnóstico com seus gestores. A médica e especialista na condição Sasha Hamdani acredita que as pessoas não revelam o diagnóstico por medo de serem tratadas de forma diferente por empregadores ou colegas. “As pessoas têm medo de não serem vistas como capazes ou competentes no ambiente de trabalho”, afirma. “O estigma vem de um lugar de desinformação ou da falta de educação sobre o TDAH. Muitas vezes, são ideias pré-concebidas que não correspondem à realidade.”

Veja 4 passos para contar ao seu chefe que você tem TDAH

1. Construa confiança

Construir uma relação de confiança com seu chefe leva tempo. Sem ultrapassar limites, procure conhecê-lo melhor por meio de eventos da empresa ou reuniões individuais. Vá construindo essa relação aos poucos, de forma que você tenha uma base sólida antes de falar sobre o TDAH. Depois de passar um tempo juntos, será possível iniciar um diálogo focado em como melhorar o desempenho, em vez de pedir diretamente por adaptações. “A forma como você apresenta a questão faz diferença, para que pareça que estão caminhando juntos rumo a um objetivo comum”, explica Hamdani.

2. Consulte um especialista

Converse com um profissional especializado em TDAH antes de revelar seu diagnóstico no trabalho. Um médico pode ajudá-lo a encontrar uma linguagem inclusiva para usar com seu chefe. Ele também pode explicar claramente quais são suas necessidades e como comunicá-las de forma profissional. Dedique um tempo para procurar um médico especializado. Também pode ser útil conversar com esse profissional sobre direitos e documentação antes de falar com seu empregador.

3. Analise o ambiente

Tente encontrar formas de adaptar seu trabalho antes de abordar seu diagnóstico. Investigue se você está em um ambiente neuroinclusivo. Há outros funcionários que já revelaram ter TDAH? Como foi essa experiência? Suas necessidades foram atendidas? Considere tudo isso antes de marcar uma conversa com seu gestor. “Se você tiver essa conversa com seu chefe depois de tentar se adaptar por conta própria, e ele não demonstrar compreensão — e isso estiver afetando negativamente a sua vida —, então definitivamente é hora de sair”, afirma Brooke Schnittman, coach especializada em TDAH.

4. Seja autêntico

Médicos e especialistas que também têm TDAH acreditam que pessoas neurodivergentes devem se posicionar com autenticidade no ambiente profissional — e fora dele. “Sou habitualmente aberto, honesto e conto tudo”, diz Edward Hallowell, fundador dos Centros de TDAH Edward Hallowell.

Formado em Harvard, o especialista só recebeu o diagnóstico aos 32 anos. Para ele, profissionais devem ser transparentes sobre o TDAH no trabalho. “Acredito que deveríamos viver em um mundo onde se possa descrever como o seu cérebro funciona sem medo de ser penalizado”, afirma. “Se você sentir que está sendo punido ou julgado por causa do TDAH, talvez seja hora de buscar um novo ambiente de trabalho.”

Não deixe que a falta de inclusão em um lugar te desanime sobre futuras oportunidades em outros. Ter TDAH pode ser uma vantagem no trabalho — algo que muitas vezes passa despercebido por conta do estigma e dos estereótipos. “Pessoas com TDAH têm muitos pontos fortes. Somos criativas, inclusivas, pensamos fora da caixa, conseguimos hiperfoco e trazemos muito valor”, diz Schnittman.


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