Publicado por Redação em Saúde Empresarial - 10/09/2012 às 17:17:15

Alguém está satisfeito com seu plano ou seguro saúde?

Duas forças poderiam obrigar as operadoras de planos de saúde a atender corretamente: a competição entre empresas e a lei

Operadoras de telefonia celular e de planos de saúde foram recentemente punidas pelas respectivas agências (Anatel e ANS): ficaram proibidas de comercializar seus produtos até que entreguem — pasme o leitor — tudo quanto já venderam (e faturaram, é claro). A situação explodiu, os clientes pagam planos de saúde e não conseguem atendimento.

O modelo de regulação do setor, a fragilidade do consumidor e a redução da competição do mercado (induzida pelo Estado regulador) explicam o caos. Para dimensionar o problema não é preciso buscar indicadores da ANS ou do Procon, basta uma rápida consulta ao redor: alguém está satisfeito com seu plano ou seguro saúde? Pode apostar, todo mundo tem uma história de horror para contar.

As empresas de planos e seguros de saúde têm uma lógica peculiar, quando comparada a outros setores da economia. Primeiro, são depositárias da poupança do consumidor; quando vai à falência, o cliente perde tudo quanto pagou (e não necessariamente usou), o cidadão não pode calcular o risco financeiro do adoecimento, por isso mesmo, só gente muito pobre ou muito rica não tem plano ou seguro saúde.

As empresas, gerenciando milhões de clientes, deveriam ser capazes de arrecadar as mensalidades e entregar os serviços quando necessários. Segundo, vendem para não entregar, isto é, quanto menos os usuários utilizarem os serviços, maior o lucro. Assim, as imensas dificuldades dos clientes para terem acesso às consultas, exames e demais procedimentos não são casualidades e, muito menos, recentes.

Duas forças poderiam obrigar as operadoras de planos de saúde a atender corretamente: a competição entre empresas e a lei. No âmbito da competição, há cada vez menos empresas para ofertar os serviços, todas atendem mal (menos de 40 têm mais de 50% do mercado: como no caso das operadoras de celular, não há para onde correr). Como chegamos a esse estado? Em parte, por obra da ANS, cujas regras de regulação promoveram a redução drástica do número de operadoras, mais de 800 delas deixaram de operar desde 2000.

O mercado de planos de saúde cresceu 13,4% em 2010, o faturamento aumentou 11,7% em 2011 e a receita que, em parte deveria ser repassada para os hospitais e clínicas para induzí-los a ofertar mais serviços, não o foi. As operadoras não aumentam a remuneração dos serviços comprados dos hospitais ou, quando possuem rede própria, não se arriscaram a investir na ampliação.

No âmbito da lei, capenga tanto o direito do consumidor quanto a regulação econômica. O leitor já experimentou a via crucis de procurar ajuda no Procon? Há mais de uma década as operadoras são campeãs de reclamações nos (parcos) órgãos de defesa; se a ANS tivesse agido adequadamente, não estaríamos na situação de hoje. Por que o xerife demorou tanto a entrar em cena? Afinal, a quem serve a regulação do setor de planos de saúde?

Fonte: saudeweb.com.br


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