Publicado por Redação em Saúde Empresarial - 10/03/2026 às 23:58:42

Quase 10% dos trabalhadores recorreram a medicamentos para a saúde mental em 2025

Um estudo realizado pela Vidalink, empresa de planos de bem-estar corporativo, mensurou o consumo de medicamentos para cuidado da saúde mental entre trabalhadores brasileiros em 2025. A partir da análise de uma base de dados com 1.105.107 colaboradores, distribuídos em 274 empresas, o levantamento constatou que 91.628 pessoas (ou 8,3% do total) adquiriram pelo menos um remédio do tipo no ano passado por meio do programa de subsídio corporativo monitorado pela Vidalink, em que as organizações cobrem até 100% do custo dos medicamentos.

Apesar do grupo de beneficiários do programa ser formado por 51,3% de homens e 48,7% de mulheres, elas estão mais propensas a recorrer aos medicamentos e representam 61,8% dos compradores no período examinado. O estudo também identificou variações no consumo conforme a idade: a maior taxa de aquisição (20,66%) pertence à chamada Geração Silenciosa, composta por profissionais nascidos até 1945. Na sequência, estão os Baby Boomers (13,59%), a Geração X (11,7%), os Millennials (8,97%) e, por último, a Geração Z (4,48%).

Ainda que o índice seja menor entre a população mais jovem, a Geração Z foi a única faixa etária a apresentar crescimento no consumo: entre 2024 e 2025, houve um aumento de 7% no número de compradores e uma alta de 3,4% no volume de medicamentos adquiridos.

Ao longo do ano passado, o programa movimentou R$ 31,4 milhões em valor transacionado, dos quais R$ 14 milhões foram pagos pelos beneficiários. A diferença de R$ 17,3 milhões aparece como economia gerada pelo subsídio, aponta o estudo.

Ao segmentar as vendas por patologia, o levantamento revela ainda que a maior parte do consumo está ligada à categoria “Depressão”, que soma 252.080 unidades. Já na categoria “Ansiolíticos” foram registradas 25.856 unidades.

A tendência é reforçada pelo ranking elaborado pela Vidalink com os medicamentos mais vendidos: em primeiro lugar está o cloridrato de sertralina, com 26,8% das unidades adquiridas, seguido pelo oxalato de escitalopram (23,9%), o cloridrato de venlafaxina (18,6%), o succinato de desvenlafaxina (16,6%) e o cloridrato de bupropiona (14%).

Saúde mental na agenda estratégica

O estudo também reforça um novo papel que as empresas vêm assumindo. Ao custear uma parte significativa do valor dos medicamentos, elas ampliam o acesso dos colaboradores ao tratamento de transtornos de saúde mental e possibilitam a continuidade do acompanhamento médico, evitando que o cuidado seja interrompido por restrições financeiras.

Essa ampliação está inserida em um contexto maior. Por racionalidade econômica, a saúde mental deixou de ser um tema periférico e passou a integrar a agenda estratégica de RH, compliance e alta liderança. O custo da negligência é mensurável e elevado: quando não tratadas, depressão e ansiedade se convertem em absenteísmo, presenteísmo, queda de produtividade, aumento da rotatividade e, em casos mais graves, afastamentos prolongados.

Para Luis Gonzalez, CEO e cofundador da companhia, o estudo confirma que o assunto já se tornou urgente no mundo corporativo. “Os números mostram que a saúde mental deixou de ser um tema abstrato e passou a ser uma demanda real dentro das empresas. Quando o colaborador tem acesso ao tratamento com apoio financeiro, isso obriga as organizações a olharem para o tema com mais seriedade”, afirma.

Fonte: Você RH


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