Publicado por Redação em Saúde Empresarial - 15/04/2026 às 09:36:10

NR-1 amplia riscos e pressiona operação empresarial

Hugo Godinho, CEO da Dialog, afirma que saúde, segurança e comunicação interna já impactam diretamente eficiência, clareza operacional e gestão de riscos nas empresas.

 

Durante muitos anos, saúde e segurança no trabalho foram tratadas pelas empresas principalmente como uma obrigação técnica e regulatória. O foco estava em cumprir exigências legais, manter documentos em ordem e atender às normas estabelecidas. Mas esse modelo, embora ainda necessário, já não dá conta da complexidade que marca o ambiente corporativo atual.

Para Hugo Godinho, CEO da Dialog, HR Tech especializada em comunicação interna e engajamento, a evolução da NR-1 mostra que o tema deixou de se limitar à conformidade e passou a ocupar lugar mais estratégico no funcionamento das empresas.

“Hoje, não se trata apenas de cumprir norma. O que está em jogo é a capacidade de estruturar processos consistentes de identificação, análise e gestão de riscos que impactam diretamente a operação, a produtividade e a eficiência das equipes”, afirma Godinho.

Afastamentos por saúde mental ampliam urgência do tema

A leitura defendida por Hugo ganha força diante dos dados mais recentes sobre o mundo do trabalho. Segundo informações citadas no material, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais em 2025, um dos maiores volumes da última década. O número reforça que uma parcela importante dos riscos ocupacionais já não está associada apenas ao ambiente físico, mas também à maneira como o trabalho é organizado, comunicado e executado dentro das empresas.

Esse cenário ajuda a explicar por que a atualização da NR-1, por meio da Portaria MTE nº 1.419/2024, amplia o escopo do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) ao incluir fatores psicossociais. Na prática, isso faz com que elementos como sobrecarga, pressão por resultados, falhas de comunicação e ambientes organizacionais pouco claros passem a integrar de forma mais explícita o radar de segurança e prevenção das empresas.

Gestão de riscos passa a olhar para a rotina real da operação

Na avaliação de Hugo Godinho, essa mudança traz uma consequência importante: a gestão de saúde e segurança precisa adotar um olhar mais amplo sobre o funcionamento cotidiano das organizações. Isso inclui não apenas processos formais, mas também a forma como a informação circula, como as responsabilidades são compreendidas e como a execução acontece na prática.

“Ambientes em que a informação não circula bem, onde há ruído constante na comunicação ou falta clareza sobre processos tendem a gerar mais erros, retrabalho, insegurança na execução e perda de eficiência operacional”, explica.

Segundo ele, esses fatores, muitas vezes vistos como problemas de rotina ou de gestão, passam agora a integrar o conjunto de riscos que precisam ser observados de forma estruturada. Por outro lado, quando os colaboradores entendem com clareza suas responsabilidades e têm acesso à informação correta no momento certo, a operação tende a funcionar com mais consistência, previsibilidade e controle.

Comunicação interna ganha papel central na NR-1

É nesse ponto que a comunicação interna amplia seu papel dentro da agenda de riscos. Para Hugo, ela deixa de ser apenas suporte institucional e passa a atuar como um dos elementos capazes de sustentar a aplicação prática da gestão de riscos no dia a dia.

“A NR-1 exige que as empresas identifiquem, registrem e gerenciem riscos. Mas isso só acontece, na prática, quando a informação chega com clareza a quem executa o trabalho e quando essa comunicação é contínua, estruturada e integrada à rotina”, afirma.

Na visão do executivo, empresas mais maduras já tratam a comunicação interna como sistema estratégico, capaz de disseminar diretrizes, reduzir ruídos, garantir alinhamento e ajudar a identificar gargalos que podem comprometer a execução das práticas estabelecidas. Esse movimento fortalece a aderência às orientações de segurança e contribui para maior rastreabilidade e consistência operacional.

Plataformas digitais podem reduzir ruído e aumentar aderência

Hugo também destaca que a tecnologia tem papel importante nessa transformação. Segundo ele, o uso de plataformas digitais voltadas à jornada do colaborador e de canais já incorporados à rotina, como o WhatsApp, pode ajudar a levar informação crítica para o fluxo real do trabalho, reduzindo tempo de resposta e aumentando a efetividade da comunicação.

Mais do que discutir apenas qual canal utilizar, a questão central, segundo ele, é garantir que a gestão de riscos seja inserida de forma prática na operação cotidiana, sem depender de comunicação fragmentada, esporádica ou desconectada do contexto real das equipes.

Da obrigação legal à eficiência operacional

Para o CEO da Dialog, a principal contribuição da atualização da NR-1 está justamente em aprofundar a forma como os riscos ocupacionais devem ser tratados. Ao ampliar o escopo da norma, especialmente com a inclusão dos fatores psicossociais, as empresas passam a ser pressionadas a operar com mais organização, mais clareza de processos e mais responsabilidade na condução do trabalho.

Isso significa sair de uma lógica concentrada apenas na formalização documental e avançar para um modelo em que a gestão de riscos seja incorporada à rotina das equipes, sustentada por processos, tecnologia e comunicação. Quando isso não acontece, a conformidade formal pode até existir, mas o risco permanece ativo na prática.

“Quando a informação não chega, não é compreendida ou não gera ação, o risco continua existindo, independentemente da conformidade formal”, resume Hugo.

Excesso de canais e informação desorganizada também geram risco

Na análise do executivo, empresas que ainda não investem em plataformas estruturadas para a experiência do colaborador tendem a operar com excesso de canais desconectados, informações fragmentadas e pouca clareza na comunicação. Esse cenário aumenta a sobrecarga cognitiva, amplia interrupções, dificulta a priorização do trabalho e pode contribuir diretamente para estresse e burnout.

Em outras palavras, a própria desorganização da operação passa a se tornar fator de risco. Não apenas pela ausência de processos, mas pela forma como o trabalho é conduzido no dia a dia.

No centro dessa discussão, a leitura de Hugo Godinho reforça um ponto que tende a ganhar cada vez mais força entre RH, liderança e áreas de saúde e segurança: a NR-1 já não trata apenas de conformidade. Ela exige maturidade operacional, integração entre áreas e uma gestão capaz de transformar diretriz em prática real.

Fonte: Mundo RH


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