Publicado por Redação em Saúde Empresarial - 16/09/2026 às 08:06:44
Entre 11 pilares de bem-estar, finanças é o que mais pesa entre líderes de RH
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Com a NR-1 tornando a gestão de riscos psicossociais uma obrigação legal, boa parte das empresas passou a tratar saúde mental como a prioridade número um do bem-estar corporativo. Um levantamento recente sugere que essa prioridade pode estar mirando no pilar errado.
A HIT Terapias Holísticas, em parceria com o iFood Benefícios, ouviu 427 profissionais de RH, lideranças e executivos durante o RH Summit, em maio, usando a metodologia da "Roda da Vida Integrativa", que avalia 11 pilares de saúde integrativa em uma escala de 0 a 10.
O resultado: nenhum dos 11 pilares atingiu a faixa considerada saudável (acima de 8), nem mesmo num público qualificado, formado por gente que cuida do bem-estar de outras pessoas dentro das empresas.
O pilar que mais pesa não é o que todo mundo espera
Entre os 11 pilares avaliados, finanças teve a pior média, 5,8, abaixo de saúde mental/emocional (6,2) e de saúde física (6,7). Ou seja: no grupo pesquisado, o dinheiro é a maior fonte de desequilíbrio, à frente até da saúde mental, tema que costuma concentrar o debate sobre bem-estar no ambiente de trabalho.
Para Paty Palhares, fundadora e CEO da HIT, esse descompasso aparece na prática todos os dias. Segundo ela, muitas empresas pedem palestras sobre saúde mental, mas quando a HIT faz um diagnóstico completo, outros pilares, como a saúde financeira, aparecem mais precários, o que mostra que boa parte dos RHs brasileiros está focada em uma necessidade sem perceber que o time precisa de outra.
Nem a alta liderança escapa
O levantamento também isolou a resposta de 127 C-levels e presidentes dentro da amostra. Mesmo entre esse grupo, finanças, saúde mental/emocional e lazer seguem entre os pilares mais críticos, o que indica que estar no topo da hierarquia não é garantia de bem-estar.
O recorte de gênero reforça o padrão: as mulheres apresentam desgaste significativamente maior que os homens, sobretudo em saúde mental/emocional, finanças, saúde física e lazer, num efeito que o estudo atribui à sobrecarga emocional e às múltiplas jornadas.
Quem cuida não está sendo cuidado
Como o levantamento foi feito com o próprio RH, área encarregada de zelar pelo bem-estar das equipes, o retrato tem um componente simbólico: quem deveria sustentar a saúde emocional dos times está, ele mesmo, no limite.
Nem oferecer benefícios corporativos resolve sozinho o problema. Entre os participantes que têm pacotes de benefícios, os índices de bem-estar são melhores em pilares como ambiente físico e relacionamentos, ambos acima de 7,4 de média, mas finanças (5,7) e saúde mental/emocional (6,2) seguem como os mais frágeis. Para Paty, o dado sugere que benefícios tradicionais, sozinhos, não dão conta de endereçar a saúde financeira do trabalhador.
Antes de virar CEO de uma empresa de saúde integrativa, Paty foi repórter e produtora na Globo e na ESPN, e teve uma empresa de comunicação no auge da carreira quando um burnout a levou à internação. Foi esse colapso que a fez largar a TV, se formar em terapias integrativas e construir a HIT, hoje com cerca de 100 mil usuários e parcerias com iFood Benefícios, Wellhub e Bradesco Seguros.
Num país com dezenas de milhões de inadimplentes, o dado da pesquisa aponta um caminho pouco explorado: tratar a dívida como pauta de gestão de pessoas pode fazer mais pela saúde emocional do time do que mais uma palestra sobre saúde mental.
Fonte: Exame


