Publicado por Redação em Saúde Empresarial - 19/05/2026 às 23:59:44
E a saúde? Rotina profissional é o maior obstáculo para acompanhamento médico regular

O levantamento sobre a dificuldade de encaixar cuidados médicos na rotina profissional joga luz sobre um problema que vai além da saúde individual: a relação entre trabalho, bem-estar e acesso ao cuidado preventivo. Dados de uma pesquisa da plataforma Olá Doutor mostram que metade dos entrevistados considera a rotina de trabalho o principal obstáculo para manter o acompanhamento médico em dia.
A constatação surge em um momento em que debates sobre saúde mental, qualidade de vida e equilíbrio entre vida pessoal e profissional aumentam nas companhias. Ainda assim, a dificuldade de encontrar tempo para ir ao médico continua sendo uma realidade para muitos brasileiros, especialmente diante de jornadas extensas e pouco flexíveis que se somam às dificuldades de liberação no ambiente corporativo.
Segundo o estudo, embora 55,4% dos participantes afirmem ter conseguido manter acompanhamento médico regular no último ano, cerca de 40% admitiram que procuraram atendimento menos vezes do que consideravam ideal. Entre os principais motivos, o trabalho apareceu no topo da lista. Horários rígidos, excesso de demandas e a dificuldade para conciliar consultas com a rotina profissional foram os fatores mais mencionados pelos entrevistados.
O panorama dialoga com uma realidade estrutural do mercado de trabalho brasileiro. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego citados no levantamento apontam que aproximadamente 30 milhões de brasileiros cumprem jornadas de 40 horas semanais distribuídas em cinco dias, enquanto outros 20 milhões trabalham seis dias por semana, frequentemente ultrapassando 44 horas semanais. A consequência é uma rotina que reduz o espaço para cuidados preventivos e acompanhamento contínuo da saúde.
Acompanhamento médico também é impactado pela experiência, seja ela boa ou ruim
A sobrecarga, no entanto, não é o único fator que afasta pacientes dos consultórios. A experiência durante o atendimento também influencia diretamente na relação das pessoas com o cuidado médico. Entre os entrevistados, 50% apontaram falta de empatia e escuta ativa como um dos principais problemas enfrentados nas consultas. Além disso, pressa no atendimento, atrasos excessivos e orientações pouco claras também aparecem entre as principais reclamações.
Esse distanciamento ajuda a explicar outro comportamento identificado pela pesquisa: a busca crescente por informações de saúde fora dos consultórios. Mais da metade dos respondentes afirmou ter recorrido à internet para esclarecer dúvidas relacionadas ao próprio corpo e bem-estar nos últimos 12 meses, enquanto 45,8% disseram ter utilizado ferramentas de Inteligência Artificial em busca de orientações e informações sobre saúde.
Para Anderson Zilli, CEO da Olá Doutor, o desafio está em tornar o cuidado mais compatível com a dinâmica atual das pessoas. “Sabemos que o trabalho e as ocupações não param, mas o cuidado com nossa saúde também não deveria esperar”, afirma.
A discussão também ganhou espaço durante o FUTR Health, evento promovido pela empresa no último mês. Na ocasião, o médico Jairo Bauer destacou que, independentemente de o atendimento acontecer presencialmente ou no ambiente digital, a qualidade da escuta continua sendo um fator central para fortalecer a relação entre médico e paciente.
Fonte: RH pra Você


