Publicado por Redação em Gestão do RH - 29/07/2026 às 11:51:19
Aumento de salário, Home Office ou Redução de Jornada: o que os profissionais priorizam em 2026

Apesar do debate recente sobre saúde mental e redução de jornada, o salário continua sendo o principal fator de decisão no mercado corporativo na hora de aceitar ou manter um emprego.
Um levantamento realizado pela consultoria Robert Half em 2026 com mais de 700 profissionais aponta que o aumento de remuneração lidera as prioridades de forma isolada, seguido por mais dias de home office. A diminuição da carga de trabalho, por outro lado, ficou em último lugar nas preferências.
Os dados revelam um alinhamento entre quem contrata e quem busca recolocação. Entre os recrutadores, o acréscimo no contracheque foi apontado como prioridade por 62,44%; na sequência, aparecem mais dias de trabalho remoto (20,15%) e a redução da jornada (17,41%).
A proporção se repete do lado dos funcionários: 57,71% priorizam a remuneração; 25,14% preferem ampliar o home office; e apenas 17,14% optam por atuar menos horas.
“O aumento salarial é sempre um fator muito importante na tomada de decisão sobre permanência em uma empresa ou aceite de uma nova oportunidade”, diz Leonardo Berto, gerente da Robert Half. “Mas isso não exclui o debate de saúde mental, tampouco a pressão atual sobre custo de vida, inflação e situação macroeconômica. O desafio das companhias é achar um equilíbrio entre uma remuneração competitiva e a perspectiva de cultura e valores.”
A readequação ao mercado pós-pandemia
A preferência atual reflete uma mudança de comportamento em relação aos anos que sucederam a pandemia. Segundo Berto, houve um processo de readaptação gradual à medida que as empresas consolidaram o modelo híbrido e reduziram a oferta de posições totalmente à distância nos últimos três anos.
“Existe uma adequação ao que está sendo ofertado nesse momento. Já não é tão simples encontrar posições 100% home office”, afirma. “As pessoas que haviam adaptado [sua realidade salarial] a um determinado modelo vão se readequando a qualquer variação. Se a pessoa passa do presencial para o remoto, ou do remoto para o presencial, isso impacta na organização financeira, na tomada de decisão e na avaliação de risco ao considerar uma nova proposta.”
Autonomia à frente da carga horária
Os indicadores apontam uma preferência pela flexibilidade de local de trabalho em detrimento da redução formal de jornada. Isso sugere que o foco dos talentos está no domínio sobre a própria rotina, não necessariamente em encurtá-la.
“A carga horária em si nunca foi o maior dos problemas, mas as pessoas demandam equilíbrio, flexibilidade e qualidade de vida”, diz Berto. “Não significa obrigatoriamente trabalhar menos, mas ter facilidade no seu dia a dia.”
Na prática, uma posição 100% remota com pouca flexibilidade pode inviabilizar tarefas comuns, enquanto modelos híbridos ou presenciais com horários maleáveis costumam oferecer maior controle prático ao profissional.
O poder de escolha do candidato
A proximidade percentual entre as respostas de líderes de RH e funcionários indica uma adequação de expectativas no mercado atual. Esse cenário é influenciado pela baixa taxa de desemprego entre a força de trabalho qualificada, o que dá maior poder de escolha a quem é contratado.
“As empresas entenderam que a negociação não é mais puxando exclusivamente para baixo para tentar pagar o menor salário. Ela passa por propósito, modelo de gestão, cultura, ambiente, flexibilidade e perspectiva de crescimento”, afirma Berto. “O profissional olha para o lado e encontra outras oportunidades. Esse processo de negociação é tão importante na atração quanto na retenção.”
O papel da liderança na prática
Para oferecer autonomia sem perder o controle operacional, é necessário aliar a gestão por indicadores a uma liderança mais próxima. Modelos focados na execução de tarefas trazem visibilidade sobre o volume e a qualidade das entregas, mas exigem acompanhamento contínuo. “A proximidade da liderança com o time e o acompanhamento genuíno permitem corrigir os desvios de rota de maneira mais efetiva e rápida, o que faz com que as pessoas tenham essa sensação de liberdade e autonomia”, diz o executivo.
A pesquisa mostra que a relação de trabalho caminha para um acordo transparente de mão dupla: as empresas pagam pelo desempenho e entregam flexibilidade, enquanto os talentos devolvem resultados guiados por autonomia.
Fonte: Forbes Brasil


